Arrozeiro protesta apesar de leilão

Fronteira com o Uruguai segue fechada por 250 produtores de arroz para impedir a entrada de caminhões com trigo e arroz. Novas mobilizações podem acontecer em outros oito pontos de fronteira com a Argentina e o Uruguai.

O setor orizícola gaúcho avaliou avaliou positivamente o primeiro Leilão de Prêmio de Risco ocorrido ontem. As indústrias beneficiadoras de arroz e comerciantes se habilitaram a receber um bônus de até R$ 3,00 por saca e se comprometeram a pagar R$ 27,00/sc ao produtor que comprar o direito de vender no leilão de Contrato de Opção Privado, marcado para 4 de maio.

No pregão de ontem foram negociados 1.142 dos 3.148 contratos do Rio Grande do Sul, um total de 30.834 t. O volume representa o que as empresas estão dispostas a adquirir na próxima semana. Em Santa Catarina saíram 210 dos 556 contratos (5.670 t).

Contudo, os resultados foram insuficientes para conter os protestos dos arrozeiros junto à fronteira com o Uruguai. A manifestação – que iniciou ontem em Aceguá – busca conter a importação do grão de países do Mercosul.

O presidente da Associação dos Agricultores da Região de Bagé, Ricardo Zago, informa que o movimento não está ligado à entidade, mas reconhece que o leilão não é solução. “Mesmo que o preço tenha ficado ao redor de R$ 27,00 a saca, para contratos com o prazo de 90 dias, não serve porque as nossas faturas de insumos já estão vencendo”, justifica Zago.

Por causa da mobilização dos produtores, oito caminhões da Empresa Dachery Transportes Internacionais carregados com arroz destinado a São Paulo ficaram na Aduana. O gerente de importação da empresa, Alessandro Borges, descartou a possibilidade de entrar na justiça para furar o bloqueio.

Um dos pleitos dos agricultores, segundo o presidente da Associação/Sindicato Rural de Bagé, Paulo Ricardo Dias, que esteve no local em solidariedade ao movimento, é a concretização do EGF com preço mínimo de R$ 30,00, com opção de transferência para o AGF. Na avaliação dele, essa ação recuperaria o setor orizícola.

LEILÃO

O ineditismo do instrumento de comercialização, o curto prazo após o seu lançamento para a entrega da documentação exigida pelo Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf) e o mercado operando em baixa (R$ 21,00/sc) foram apontados como os fatores para que o êxito do leilão não tenha sido maior.

‘Considerando o atual quadro, foi ótimo’, resumiu o superintendente da Bolsa Brasileira de Mercadorias no RS (BBM/RS), Wilson Riva. O mecanismo federal foi criado para sustentar o preço do grão através do enxugamento de um milhão de toneladas no RS e SC.

Tanto a Farsul quanto a Federarroz acreditam em maior participação no próximo leilão de Prêmio de Risco, que deve ocorrer no dia 10 de maio. O presidente da Comissão de Arroz da Farsul, Francisco Schardong, aposta que a operação irá balizar o mercado nos próximos dias, aquecendo negócios. ‘O leilão pode ser considerado bom. Provocará reação nas cotações.’

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter