Arrozeiros ameaçam demitir 20 mil

Produtores planejam grande mobilização no dia 25 deste mês contra importação do grão do Mercosul. Baixos preços e falta de apoio reduzem investimento .

Em assembléia realizada nesta sexta-feira 15 pela Federarroz, os orizicultores gaúchos decidiram adotar economia de guerra no setor o que, de imediato, provocará a demissão de 20 mil dos 73 mil empregos diretos gerados pela cadeia orizícola. A afirmação é do presidente da Federarroz, Valter José Pötter, que liderou encontro em Santa Maria com 250 lideranças de 50 municípios do Rio Grande do Sul na sexta-feira 15.

Ainda devido aos baixos preços do produto (vendido a R$ 24,00 a saca, contra o custo de produção de R$ 30,68) e à falta de mecanismos de apoio do governo federal, o setor deixará de investir na compra de máquinas e implementos agrícolas; oferecerá produto físico para honrar dívidas com bancos e empresas fornecedoras de insumos e promoverá acampamentos nos postos de fronteira com Uruguai e Argentina.”Ao contrário do ano passado, quando fizemos protesto de um dia, dessa vez só sairemos quando o governo se sensibilizar com o nosso pleito.”

Dados da Receita Federal, frisou Pötter, mostram que neste ano 120 mil toneladas de arroz base casca já entraram no Estado por três dos nove postos de fronteira. A manifestação está prevista para o dia 25.

Na mesma sexta-feira 15, em Brasília, dirigentes que participaram da reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz, na Conab, ouviram do Ministério da Agricultura que “está para sair a qualquer momento edital de publicação de contrato de opção privado para o início de maio no valor de R$ 27,00 a saca, sendo R$ 3,00 de prêmio”.

O anúncio foi repassado pelo diretor da Federarroz, Marco Aurélio Tavares, que prevê que a medida enxugará do mercado 1 milhão de toneladas. “Para o leilão do início de maio, deverão ser 100 mil t para produto do Rio Grande do Sul e Santa Catarina”. O investimento da União seria de R$ 80 milhões. A Câmara do Arroz também recebeu proposição de, via Aquisições do Governo Federal, serem adquiridas 300 mil toneladas do Mato Grosso.

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