Arrozeiros de Alegrete discutem dívidas com fornecedores
Produtores, indústria, fornecedores e Banco do Brasil se reuniram para discutir renegociação.
A diretoria da Associação dos Arrozeiros de Alegrete se reuniu ontem (10), na sede do Sindicato Rural, com representantes do comércio, da indústria, do governo municipal, da câmara municipal, do setor financeiro e de entidades de classe ligadas ao agronegócio, para discutir estratégias que viabilizem o pagamento das dívidas dos produtores com os fornecedores de insumos e, ao mesmo tempo, evitar que o produto seja vendido ao preço atual, já na faixa de R$ 18,00, muito abaixo do custo de produção.
O presidente da Associação, Cleomar Ereno, auxiliado por sua diretoria, expôs aos presentes a situação calamitosa a qual o setor orizícola está caminhando, principalmente pelo excesso de oferta do produto no momento no mercado, em virtude da grande produção de arroz do Centro-Oeste, pela falta de locais de estocagem, e da entrada, sem controle, de arroz argentino e uruguaio, a preços mais baixos que os domésticos, devido à diferença tributária e do valor de aquisição de insumos muito desfavorável ao produtor nacional.
– Hoje, o produtor eficiente ou capitalizado já está perdendo dinheiro. O descapitalizado, certamente não fechará as contas. Estamos perdendo, no mínimo, R$ 7,00 por saco produzido, ou seja, tendo um prejuízo de cerca de R$ 900,00 por hectare plantado – disse o dirigente.
Segundo Onélio Pilecco, diretor-presidente da Indústria de Arroz Pilecco, o mercado está desorganizado, sem referência e boa parte dos representantes da indústria de arroz gaúcha estaria disposta a pagar, hoje, R$ 25,00 por saco, porém, isso só seria possível se o Governo Federal intervisse no mercado retirando um milhão e meio de toneladas de arroz, estocando o excedente da oferta e propiciando uma reorganização do setor.
Representantes dos fornecedores concordaram com a gravidade da situação, entendendo da necessidade de um período de 60 a 90 dias para o setor tentar se reorganizar, evitando a venda do produto. A solicitação dos comerciantes foi de que os produtores procurem seus credores para renegociar suas dívidas.
Cleomar Ereno enfatizou aos fornecedores que o produtor não quer ficar inadimplente e que procurassem nesse período receber apenas o necessário para pagar as contas, deixando a parcela maior para o final quando já se vislumbra o início da liberação dos custeios agrícolas. O gerente do Banco do Brasil, presente na reunião, garantiu que a agência Alegrete tentará agilizar a liberação desses recursos.
Os cerca de 30 participantes da reunião concordaram da necessidade de aumentar o tom das reivindicações.
– Estamos cumprindo a agenda proposta pela Federarroz, porém já é hora de nos mexermos – disse Ereno.
E conclamou a todos os representantes da cadeia produtiva do arroz a se juntar aos arrozeiros de Alegrete em uma assembléia nessa sexta-feira, às 17 horas, na Sociedade Italiana, onde serão debatidos os rumos do movimento em Alegrete.


