Arrozeiros devem lançar proposta de comércio zero

Além de não vender, produtores não pretendem comprar insumos até que o arroz volte a ter preço equilibrado com o custo. Compras no comércio serão pagas com sacos de arroz e dívidas vincendas serão renegociadas. Protestos nas fronteiras são certos.

Mais de 150 produtores de arroz estão participando de uma assembléia geral em Dom Pedrito hoje, 13, para retirar propostas que serão apresentadas na próxima sexta-feira, 15, na assembléia geral de arrozeiros, em Santa Maria. Pelo menos três propostas já estão aprovadas. A primeira chama-se “Comércio Zero – Economia de Guerra” e prevê que os produtores além de não venderem o arroz entrem em “estado de latência comercial” segundo palavras do presidente da Federarroz, Valter José Pötter.

A proposta é de que os arrozeiros não comprem insumos, reformem equipamentos ou façam investimentos na infra-estrutura da lavoura. “Para fazer qualquer investimento ou transação comercial estaremos vendendo arroz no prejuízo. Por isso, é natural a suspensão de todos os negócios e busca de prorrogação do pagamento das dívidas”, explicou Pötter. A idéia é sensibilizar a população das cidades arrozeiras e do Rio Grande do Sul para o impacto negativo na economia que a crise no setor está causando. “O comércio das cidades arrozeiras já está sentindo a crise e com esta medida, sentirá ainda mais forte”, explicou Pötter.

Segundo ele, a situação é preocupante nestas regiões. As lavouras estão terminando a colheita e dispensando empregados temporários e alguns que tinham empregos estáveis. “De uma maneira geral as propriedades estão demitindo muito mais do que contrataram para a safra, pois vendendo arroz a R$ 22,00 não se consegue gerar empregos”, reconheceu. “Parando de comprar, os arrozeiros também estarão acelerando o processo de aumento do desemprego nestas cidades, pois não cabe a nós arcar com este ônus a custa de prejuízos”.

Os produtores também retiraram da assembléia de Dom Pedrito um indicativo para buscar a renegociação de prazos em todos os créditos que estão vencendo ou por vencer e, ainda, pagar as contas de insumos, equipamentos e outros produtos com sacos de arroz. “Quem deve, estaciona o caminhão na frente da loja e avisa que sua moeda é arroz. É como se pode pagar”, afirmou Valter José Pötter. Os protestos na fronteira com o Uruguai e a Argentina já são considerados como certos, faltando apenas marcar as datas.

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