Arrozeiros partem para Brasília
Caravana de Cachoeira do Sul (RS) leva 66 produtores em dois ônibus e uma carreta com tratores
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Dois ônibus e uma carreta partem às 14h deste sábado levando 66 arrozeiros de Cachoeira do Sul (RS) para Brasília, onde a partir de quarta-feira eles participarão do Tratoraço – O Alerta do Campo. A saída da caravana será da Cooperativa Agrícola Cachoeirense Ltda (Coriscal), com a primeira parada em Passo Fundo, onde os produtores gaúchos se concentram para seguir rumo à capital nacional.
Em Brasília, agricultores de todo país irão protestar contra a falta de ações de apoio do Governo Federal para combater a crise que atinge o campo. Para sensibilizar a opinião pública e alertar as autoridades, os produtores prometem mudar a paisagem da Esplanada dos Ministérios.
A expectativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) é de que o protesto reunirá 15 mil produtores, mais de dois mil tratores, mil caminhões e dezenas de máquinas agrícolas. O presidente da União Central dos Rizicultores (UCR), Gilmar Freitag, antecipa que os produtores rurais querem uma solução para a crise, mas que a manifestação em Brasília é muito mais que um simples protesto ou reivindicação.
Os produtores vão propor uma agenda positiva, com metas de ganho de qualidade, de produção e de emprego. A programação inclui audiências das lideranças com o presidente Luís Inácio Lula da Silva e com os presidentes do Senado, Renan Calheiros e da Câmara, Severino Cavalcanti.
Os agricultores alertam que diversos segmentos do setor produtivo estão enfrentando grandes dificuldades, como o baixo preço para a comercialização de seus produtos, que não cobrem nem os custos de produção. O arroz, por exemplo, caiu 31,9% no estado no último ano. O preço médio de comercialização da saca de 50 quilos é de R$ 20,00, enquanto o seu custo de produção é de R$ 30,68, segundo o Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga).
A pressão dos arrozeiros é para que o Governo Federal – que oferece R$ 23,20 – pague R$ 25,00 pela saca através dos contratos de opção.
Os produtores também reclamam da quebra de safra devido a fatores climáticos, que gera a perda de renda e impossibilita o pagamento de dívidas rurais. Há também queixas sobre a falta de crédito, a dificuldade de prorrogação dos financiamentos junto aos bancos na negociação caso a caso, endividamento e câmbio desfavorável.
Importante
O presidente da União Central dos Rizicultores (UCR), Gilmar Freitag, enfatiza que a crise no campo não atinge somente os produtores, mas todos os setores da economia de uma cidade. Toda renda gerada no campo tem efeito multiplicador nos demais setores. O produtor também gasta no comércio, com prestação de serviço, e também aumenta o desemprego no campo. Enfim, com a crise, todos perdem, analisa Freitag.
ATENÇÃO
A concentração de produtores gaúchos inicia nesta sábado, no Parque de Exposições do Sindicato Rural de Passo Fundo. A partida está prevista para a meia-noite, percorrendo cerca de 700 quilômetros até Campo Mourão, no Paraná. Nesta segunda-feira, a caravana segue até Cassilândia, em Mato Grosso do Sul, onde pernoitam e partem no outro dia para Brasília. O comboio de produtores deve chegar na manhã de terça-feira à capital federal.


