Arrozeiros temem redução de área devido aos preços baixos

Clima, preços baixos, excedentes do Mercosul e falta de mecanismos de comercialização ainda podem interferir na área plantada.

As cinco regiões produtoras da Zona Sul do Rio Grande do Sul, que têm como municípios-sede Pelotas, Arroio Grande, Santa Vitória do Palmar, Jaguarão e Rio Grande, são responsáveis pelo plantio de 17% do total do estado. Na última safra, foram colhidas em torno de um milhão de toneladas do produto. Os municípios de Jaguarão e Arroio Grande estão entre os maiores produtores da região.

O presidente da Associação dos Arrozeiros de Jaguarão, Jair Feijó, estima que a atividade arrozeira movimenta 70% da economia de Jaguarão. O município concentra em torno de 80 produtores, entre grandes e pequenos, responsáveis pelo plantio de 20 mil hectares da cultura.

Ainda no início do plantio da safra 2004/2005, com menos de 15% da área total plantada, Feijó acredita que haja uma pequena redução, em torno de 5%, devido ao quadro de preços abaixo do custo da lavoura. “O produtor gasta R$ 30,00 para produzir um saco de arroz e a indústria está pagando em torno de R$ 25,00.”

Segundo ele, a concorrência com o produto uruguaio é desleal, porque o país não possui uma série de impostos, como Funrural, Pis/Cofins ou possui taxas menores. Além disso, o preço dos insumos é 40% mais barato. “Um trator brasileiro, que custa R$ 100 mil é comercializado a R$ 60 mil no Uruguai.”

Arroio Grande possui em torno de 230 produtores e o arroz é o principal eixo de arrecadação do município diz o presidente da Associação dos Arrozeiros, Marco Antônio Grill. O município possui uma área de 37 mil hectares, que deve ser mantida nesta safra. A produção gira em torno de seis mil quilos (120 sacos) por hectare. O plantio em toda a região deve se intensificar a partir do final desta semana.

PORTO SECO

Na administração do porto seco, o clima era de compreensão com o protesto dos produtores. O gerente da permissionária, Flávio Evaristo, disse que o bloqueio não interferiu no trabalho, pois além de ordeiro tinha hora para terminar. Segundo ele, passam diariamente pelo local, de 90 a 100 caminhões, com o movimento de cargas de importação e exportação.

As relações entre os dois países, Brasil e Uruguai, são intensas. Se de um lado o Brasil exporta produtos industrializados para o Uruguai, daquele país entram basicamente produtos agropecuários como o arroz e o couro.

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