Arrozeiros vão propor solução emergencial para os ataques de arroios
Arrozeiros de Cachoeira do Sul, Cerro Branco, Novo Cabrais, Agudo e Paraíso do Sul vão se reunir na sexta-feira para apresentar uma proposta ao Comitê de Gerenciamento de Bacia Hidrográfica do Baixo Jacuí para evitarem o barramento dos rios e arroios e uso da água para irrigação das lavouras.
Uma reunião na próxima sexta-feira, às 14h, no Auditório da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) Campus Cachoeira em Cachoeira do Sul deverá reunir arrozeiros dos municípios da Depressão Central gaúcha para elaborarem uma proposta emergencial contra os ataques dos cursos dos rios para instalação de puxes de água para as lavouras de arroz. A proposta será encaminhada ao Comitê de Gerenciamento de Bacia Hidrográfica do Baixo Jacuí, que levantou o dano ambiental provocado pela ação de alguns arrozeiros.
Devem participar do encontro representantes dos arrozeiros, União Central de Rizicultores (UCR), Sindicatos Rurais da região, conselheiros do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), técnicos do Irga, representantes dos municípios da região, sindicatos de trabalhadores rurais e cooperativas.
Segundo o presidente da União Central de Rizicultores (UCR), Gilmar Freitag, que também integra o Comitê de Bacia e é vice-presidente da Federarroz, este encontro servirá para que os produtores apresentem soluções emergenciais.
– Estamos em meio a uma safra e agora só é possível procurar paliativos e medidas emergenciais, enquanto soluções duradouras são buscadas em nível estadual frisou Freitag.
Segundo o dirigente arrozeiro, as chuvas deste final de semana devem amenizar a demanda por água dos rios e arroios por pelo menos 15 dias. Ainda assim, a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram) vai realizar operações nos principais arroios e rios da região identificando pontos críticos e conscientizando os produtores para não atacarem o curso dos rios. Dependendo da gravidade do caso, algumas bombas poderão ser lacradas e os produtores indiciados por crime ambiental.
– Há um prejuízo evidente ao meio ambiente e mesmo aos arrozeiros que estão rio abaixo, que acabam ficando sem água destacou.
Para Gilmar Freitag, só haverá uma solução definitiva a partir da regulamentação da lei que determina a outorga da água. Ainda assim, isso deve levar algum tempo. Até lá, acredita, os produtores precisarão buscar uma melhor estrutura de abastecimento de água para irrigar suas lavouras.
Na próxima terça-feira, o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Baixo Jacuí terá uma reunião também no Auditório da Ulbra, em Cachoeira do Sul, para analisar as medidas propostas pelos arrozeiros. Depois disso, o Comitê encaminhará documento para formalização de um acordo com o Ministério Público.
Na região Metropolitana de Porto Alegre os arrozeiros já fizeram um acordo, nesta safra, para retirar água dos rios apenas alguns dias por semana, em horários específicos, e até que o nível do rio alcance determinado patamar. Apesar do baixo volume de lavouras na região e o grande nível de poluíção urbana, a orizicultura é considerada uma concorrente do consumo domiciliar.


