Assembléia reúne 500 em Jaguarão

Produtores formam documento para entregar ao presidente Lula. Dependendo do resultado da reunião de quinta-feira, todas as fronteiras da Argentina e do Uruguai com o Rio Grande do Sul serão fechadas por tempo indeterminado. Outros piquetes serão formados ao longo das rodovias e grupos de mobilização trabalham pela adesão de outros estados….

Mais de 500 produtores gaúchos estiveram reunidos ontem, em Jaguarão, na fronteira gaúcha com o Uruguai, para um ato público contra a importação de arroz do Mercosul e pela intervenção do Governo Federal no mercado, com a compra de 1,5 milhão de toneladas de arroz. Uma assembléia geral da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul aconteceu logo depois do ato, onde foi organizado o documento de reivindicação dos arrozeiros, que será entregue em audiência com o presidente Lula na próxima quinta-feira, em Brasília.

Os produtores gaúchos elencaram um rol de reivindicações que começa com a adoção imediata de medidas para suspender as importações de arroz do Mercosul e de terceiros países por meio de salvaguardas ou taxação ao produto internacional ou a criação de compensações para o arroz nacional. Também reivindicam a intervenção do Governo Federal no mercado, retirando 1,5 milhão de toneladas por meio de contratos públicos de opção, Aquisições do Governo Federal (AGFs) ou outros mecanismos.

Segundo Jair Feijó, presidente da Associação de Arrozeiros de Jaguarão, o pedido é para que sejam criados contratos públicos de opção para um milhão de toneladas para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina e AGFs para 500 mil toneladas no Mato Grosso e outros estados do Centro-Oeste.

– O certo é que essa medida tem que sair logo, no máximo em 15 dias, ou o setor não se recupera mais por muito tempo – disse o líder arrozeiro.

O presidente da Federarroz, Valter José Pötter, destacou que outras medidas serão reivindicadas pelo setor, como o aumento da TEC para 35%, renegociação de dívidas, redução de tributos que interferem diretamente no custo de produção, entre outros. Mas frisou:

– Nesse momento, o que interessa mais é que seja estancada esta sangria dos excedentes do Mercosul para dentro do mercado brasileiro e que o Governo Federal entre enxugando o mercado num volume de pelo menos 1,5 milhão de toneladas.

Na parte da manhã, houve uma reunião política em Jaguarão que contou com a presença de presidentes de sindicatos rurais e associações de arrozeiros, dirigentes de cooperativas de trigo e arroz, dirigentes do Irga, da Secretaria da Agricultura do Estado, deputados estaduais e federais gaúchos, 16 prefeitos da região arrozeira e outras 200 lideranças do agronegócio gaúcho.

No encontro foi debatido o impacto socioeconômico da crise do arroz para os mais de 100 municípios da Metade Sul gaúcha. Estima-se que as lavouras tenham enxugado pelo menos 10 mil postos de trabalho nos últimos 60 dias. Outros 10 mil podem se extinguir nas próximas semanas. Na semana que passou um produtor demitiu 22, dos 24 trabalhadores que atuavam em suas lavouras.

O bloqueio de arrozeiros no porto seco de Jaguarão foi levantado no final da tarde. Todavia, os produtores avisaram que dependendo do resultado da reunião com o presidente Lula, o bloqueio voltará por tempo indeterminado em todas as fronteiras gaúchas com o Uruguai e a Argentina.

O ato público do movimento independente de produtores definiu como estratégia a formação de piquetes para criar bloqueios em outras rodovias do Rio Grande do Sul e estabeleceu como meta contatos com lideranças arrozeiras de outros estados para garantir a nacionalização do movimento.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter