Aumenta a oferta de arroz e o mercado busca estabilidade
A semana registrou um mercado mais calmo no Rio Grande do Sul e produtores ofertando um pouco mais, reflexo também do mercado internacional.
Um conjunto de fatores, que vai da decisão da Tailândia de disponibilizar ao mercado internacional 2,1 milhão de toneladas de produtos, principalmente arroz, a ampliação da área plantada na Ásia e nos Estados Unidos, onde o plantio acelerou, até a realização de leilões pela Conab, no Brasil, bem como o feriadão do Dia do Trabalho, influenciaram o mercado interno de arroz.
As cotações de futuro do arroz na Bolsa de Chicago caíram dois dias seguidos, acalmando o mercado mundial e indicando certa estabilidade nos próximos dias, embora algumas indústrias européias tenham insistido em informar que a tendência é de alta do produto, principalmente na Itália, Portugal e Espanha.
O reflexo desta desaceleração do mercado internacional chegou rapidamente ao Brasil e o anúncio dos leilões da Conab e a confirmação de que não há preocupação quanto ao desabastecimento local, além do indicativo de aumento de área e produção para a próxima safra, levaram os produtores brasileiros, principalmente os gaúchos, a ampliarem a oferta de produto às indústrias.
As principais indústrias indicam preços de R$ 32,00 a R$ 33,00 para a saca de arroz em casca de 50 quilos, base para 58×10, mas o maior volume de negócios na Fronteira-Oeste, Zona Sul, Campanha e Depressão Central está fechando na faixa R$ 33,50 a R$ 34,00. A pedida dos produtores é sempre um a dois reais acima da oferta da indústria e a negociação é feita caso a caso. Uma única indústria da região da Campanha reduziu a cotação de R$ 32,00 para R$ 31,50 na terça-feira, mas o mercado não há acompanhou.
PREÇOS
Assim, as cotações referenciais indicam preços de R$ 32,00 para as regiões de Cachoeira do Sul, São Sepé, São Gabriel, Alegrete, Dom Pedrito, Tapes, São Lourenço, Restinga Seca e Venâncio Aires. Nas cidades de grande concentração industrial como Pelotas, Camaquã, Itaqui, Uruguaiana e São Borja, o arroz chega a R$ 34,50 colocado dentro da indústria. No Litoral Norte, o arroz de alta qualidade (64%), das variedades nobres, é cotado em até R$ 38,00 e, na Fronteira (São Borja e Itaqui) a R$ 35,50 na quitação à vista, com até 60% de inteiros.
INDICADOR
O indicador Cepea/Esalq e BM&F, fechou abril registrando acumulado de 42,06% de valorização do arroz, o equivalente a média R$ 33,12 a saca de 50 quilos (58×10), em casca, posta na indústria gaúcha. Pelo valor de 30 de abril, quarta-feira, isso equivale a US$ 19,92, um preço histórico.
INDÚSTRIA
O anúncio de leilões pela Conab, um de 55 mil toneladas marcado para segunda-feira, com grande possibilidade de na próxima semana ser confirmado o segundo, bem como o aumento da oferta por parte dos produtores, tranqüilizou um pouco mais a indústria, que vinha trabalhando pressionada em busca do produto. A procura ainda é maior que a oferta, mas há indicativos de uma estabilidade de preços para os próximos dias. Na Campanha, algumas empresas tentaram forçar baixa na terça-feira, mas não foram acompanhadas pelas concorrentes e devem rever a posição para a próxima semana. O resultado do leilão deverá referenciar o mercado.
ESTADOS
Mato Grosso e Santa Catarina também colhem os resultados da alta nos preços do mercado interno. No Mato Grosso há oferta, mas como a capacidade industrial é maior do que a produção local, há também um equilíbrio mais significativo. Preços praticados, em média, na faixa de R$ 34,00 em Sinop e Sorriso, chegando a R$ 37,50 para o arroz longo fino, em sacas de 60 quilos, colocado em Cuiabá. No Estado, é grande a mobilização das lideranças buscando a recuperação de áreas para o próximo ano, apostando na continuidade da alta dos preços internacionais e no mercado interno.
Este plantio aconteceria em áreas já abertas e que não foram plantadas por conta do grau de endividamento dos produtores locais, pressão ambiental e, principalmente, falta de financiamento para a orizicultura e descrédito numa melhora do mercado. O Mato Grosso tem capacidade para triplicar sua área em uma safra, se os preços forem convidativos e houver sementes de qualidade.
Em Santa Catarina a safra dirige-se para o final. Os preços reagiram bastante nos últimos 10 dias e já alcançam cotação média superior a R$ 30,00 no Sul Catarinense e nas regiões de Jaraguá do Sul e Rio do Sul, com os produtores ofertando o produto em patamar superior, na faixa de R$ 32,00 a R$ 33,00, em bons negócios fechados nestes valores.
BENEFICIADO
O fardo de 30 quilos do arroz gaúcho tipo 1, posto em São Paulo, fica entre R$ 34,00 e R$ 57,00, com média de R$ 43,00 à vista. O produto está mais demandado do que o normal, depois de uma esfriada no mercado no início do mês. Aparentemente, as redes de varejo se estocaram bem, pois a demanda pelo industrializado também acalmou nos últimos dias, sinalizando uma estabilização de preços. A indústria, no entanto, segue tentando repassar.
MERCADO
A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 33,00 para o arroz em casca no Rio Grande do Sul esta semana, R$ 70,00 para a saca de 60 quilos do produto beneficiado (FOB) que chega a São Paulo entre R$ 78,00 e R$ 86,00. A corretora indica ainda preços de R$ 45,00 para o canjicão, R$ 34,00 para a saca de quirera e estabilizados R$ 350,00 para a tonelada de farelo. Todos bastante procurados para exportação.
A alta no mercado deve prosseguir, mas sem a mesma aceleração das últimas semanas. A tendência é de os preços estabilizarem nas próximas semanas, indicando um patamar entre R$ 32,00 e R$ 34,00 nas principais praças gaúchas, livre ao produtor.


