Ausência de credenciamento causa transtorno em armazém
Além de ter poucos armazéns e destes estarem lotados de soja, a região de Sinop, no Norte do Mato Grosso, está vendo os silos sserem descredenciados pela Conab em plena colheita.
Ausência de credenciamento causa transtorno em armazém
Cerca de 200 carretas carregadas de arroz permaneceram o dia inteiro de segunda-feira (25) paradas às margens da MT-220, Km 80 de Sinop (500 km de Cuiabá), impedidas de descarregar o produto no armazém Prante Chiarello. O motivo alegado pelo proprietário do estabelecimento, Néri José Chiarello, seria a decisão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em descredenciá-lo para novas aquisições.
Ao contrário disso, o superintendente da Companhia no Estado, Ovídio Costa Miranda, garante que o armazém está apenas com impedimento temporário em função de ter transferido irregularmente produto do governo federal, sem uma comunicação prévia. O Chiarello transferiu o milho armazenado para outro local sem autorização do proprietário, que é o governo federal. Essa movimentação não é legal está em desacordo com o contrato, disse Miranda. Ele afirma ainda que o recebimento ou não da produção independe do governo federal. Não posso saber que a carga nas carretas é toda para Aquisição do Governo Federal (AGF), que não compra tudo que o Estado produz, observou.
Néri Chiarelho, no entanto, afirma que precisou retirar as cerca de 1,5 milhão de toneladas de milho do armazém para acomodar a safra de arroz. O milho foi colocado em um silo. Desde antes de iniciar essa safra de arroz pedia à Conab para desocupar o armazém, mas não obtive resposta. Tive que tomar as minhas providências, justificou o produtor e criticou Essa atitude é uma ignorância da empresa existente para resolver e não criar problemas de armazenamento, disse Chiarello.
Ovídio Miranda afirma que Chiarello ingressou com recurso na Diretoria de Operações da Conab, em Brasília, e sua defesa pela ação irregular está sendo analisada.
O armazém Prante Chiarello tem capacidade estática de 45 mil toneladas, já está quase cheio com aproximadamente 30 mil toneladas guardadas. A carga das carretas chega a seis mil toneladas. O caos está instalado, não tem mais armazéns na cidade. Os produtores não sabem para onde mandar a carga. No final, quem mais sofre com essa situação é o agricultor, ponderou Néri Chiarello.
Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Arroz (APA), Ângelo Maronezzi, o déficit de armazenagem em Mato Grosso é de 800 mil toneladas. A safra de arroz 2004/2005 deve chegar a 1,9 milhão de toneladas. Ou seja 1,1 milhão terá de ser comercializada, mesmo em momento não propício para venda. Este ano a situação piorou por causa das chuvas. As colheitas de soja e arroz foram atrasadas. Quando deu para colher, os armazéns ficaram abarrotados, observou Maronezzi.
De acordo com ele, o governo federal precisa liberar mais recursos para que o produtor tenha condições de armazenar e secar a produção dentro de sua propriedade.


