Balança… mas não cai

Balança comercial é positiva em 12 meses, mas muito ajustada

As transações brasileiras de arroz, em equivalente casca, registraram retração em setembro, alcançando o menor volume de negócios desde abril de 2025. O recuo foi puxado pela forte queda nas exportações, enquanto as importações tiveram leve alta. Mesmo assim, no acumulado dos últimos 12 meses, a balança comercial do arroz segue positiva, com exportações de 1,45 milhão de toneladas superando importações de 1,34 milhão de toneladas. O saldo comercial no período é, portanto, de aproximadamente 110 mi toneladas.

Apenas de janeiro a outubro, considerando neste último mês números extraoficiais divulgados nos primeiros dias de novembro, o Brasil chegou a 213,2 mil toneladas, em base casca. As importações somaram 143,4 mil toneladas. Com isso, o superávit da balança comercial aumentou e chegou a 103 mil toneladas. No mesmo período, um ano atrás, era registrado um déficit de 94 mil t. Foi um mês para comemorar, com grandes resultados em entregas, mas com contratos ainda remanescentes de julho e agosto.

Voltando ao período de 12 meses, somadas, as transações totais (importações + exportações) atingiram 2,79 milhões de toneladas entre outubro de 2024 e setembro de 2025, volume ligeiramente inferior ao registrado nos 12 meses anteriores (2,97 milhões de toneladas). Em setembro, o Brasil exportou 87,45 mil toneladas, queda de 54,9% em relação a agosto e de 37,8% frente a setembro de 2024, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. O preço médio da tonelada exportada foi de US$ 293,65, alta mensal de 13,08%, mas retração anual de 28,1%.

Já as importações somaram 125,49 mil toneladas, aumento de 2% em relação a agosto e de 22,9% sobre setembro do ano anterior. O preço médio pago foi de US$ 256,83/tonelada, queda de 15% no mês e de expressivos 50,34% em relação a setembro de 2024. Com o dólar médio a R$ 5,37, as exportações corresponderam a R$ 78,81/saca de 50 kg, valor 19,3% acima da média do indicador Cepea/Irga (RS) (R$ 63,63/sc). As importações, por sua vez, equivaleram a R$ 68,93/sc FOB origem, 7,7% acima da média nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que, em 2026, o Brasil exportará 2,1 milhões de toneladas e importará 1,4 milhão, com um superávit de 700 mil toneladas.

O analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, considera que o grande desafio do arroz neste fim de ano é a demanda. “Precisamos liquidar estoques para a próxima temporada e, nesse momento, temos um superávit pontual. Se o mercado seguir esse caminho, nos próximos meses, podemos reverter para um déficit na balança comercial. Então, o setor corre contra o tempo para conseguir mudar esse padrão”, alertou.

Fique de olho

Apesar de chegarmos ao início de novembro com superávit, o setor se ressente do acréscimo de 40% sobre as taxas, que já eram de 10%, para a exportação de arroz branco do Brasil para os Estados Unidos da América.

O país da América do Norte era o terceiro maior mercado comprador estrangeiro de arroz branco da indústria brasileira, com o diferencial de adquirir produto de alto padrão e maior valor agregado. Enquanto seguem as negociações para a retirada das tarifas, o volume de negócios especificamente desse tipo de cereal caiu. Em meados de novembro, o governo estadunidense publicou nova lista de exceções aos produtos brasileiros devido às pressões internas e para conter a inflação, mas o arroz seguiu de fora.

Questão básica

Traders, indústrias e até produtores têm solicitado ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que retire a cobrança da taxa CDO, de R$ 0,89 por saca de 50 kg em casca, das exportações de arroz. Isso, segundo consideram, tornaria o arroz gaúcho mais competitivo e permitiria acessar outros mercados. Como a CDO é o recurso de financiamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o Estado tem rejeitado a proposta. Ainda assim, sinalizou com algum apoio, usando parte dos recursos arrecadados para dar suporte às vendas externas.

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