BB prorroga prazo para o pagamento

Parcelas de 2005 podem ser pagas no mês que vem.

O Banco do Brasil anunciou ontem que os produtores rurais já podem prorrogar o pagamento de operações de custeio da lavoura, uma das principais reivindicações dos arrozeiros diante da crise que castiga a orizicultura. O novo prazo será de até um ano após o vencimento da última prestação. O vice-presidente de agronegócio do BB, Ricardo Alves da Conceição, informou que as agências da instituição estão autorizadas a conceder prazo para pagamento das prestações de 2006 dos custeios prorrogados em 2005, conforme autorizado pela Resolução Bacen 3363, do último mês de abril. Para produtores de arroz, soja e milho a concessão será efetivada de forma automática, sem a necessidade de aditivos aos contratos já existentes.

Nesta quinta-feira, o presidente da União Central dos Rizicultores (UCR), Gilmar Freitag, acompanhado de alguns produtores, vai ao Banco do Brasil se inteirar dos detalhes da prorrogação para tranqüilizar os demais arrozeiros. Na verdade, a UCR iria ao BB protestar, mas como a medida foi anunciada ontem vai aproveitar a oportunidade para sanar as dúvidas dos produtores. Segundo Freitag, o anúncio feito pelo BB serve para tranqüilizar os produtores, que estavam entrando em desespero devido ao dia de vencer as dívidas estar chegando e não haver renda para saldar os compromissos.

2004/2005 – As duas parcelas prorrogadas no ano passado, dos custeios da safra 2004/2005, que ficaram para março e abril deste ano, poderão ser pagas até o mês que vem. Para isso, os produtores deverão apresentar pedido na sua agência do Banco do Brasil até segunda-feira. Os novos prazos visam dar tempo aos produtores, para que comercializem seus estoques com melhores preços.

ANÁLISE DO IRGA

Importação cai 6%

Apesar do câmbio favorável, as importações de arroz tiveram queda nos primeiros quatro meses de 2006. O país importou 245,6 mil toneladas este ano, redução de 6% com relação ao mesmo período de 2005. Em abril, 36,9 mil toneladas entraram pelas fronteiras do Brasil. Em contrapartida, as exportações já chegam a 107 mil toneladas, acréscimo de 16%, se comparado com os primeiros meses do ano anterior.

Segundo a análise da equipe de política setorial do Irga, os países do Mercosul seguem como principais importadores do cereal. Juntos, Uruguai, Argentina e Paraguai representam cerca de 99% das importações. O Rio Grande do Sul é a principal entrada dos produtos adquiridos externamente. Para o diretor comercial do Irga, Rubens Silveira, as importações são danosas para o setor.

– As entradas em plena safra servem apenas para depreciar os preços, que já estão abaixo do custo de produção há algum tempo – afirmou o dirigente.

IMPORTANTE

O presidente da Associação/Sindicato Rural de Bagé, Paulo Ricardo de Souza Dias, anunciou ontem a participação de produtores gaúchos no protesto nacional contra a política adotada pelo Governo Federal, que não está contribuindo com o desenvolvimento do setor. Segundo Dias, uma das ações já anunciada é que no dia 16 de maio centenas de produtores reeditarão o tratoraço até Brasília. O primeiro foi realizado em junho de 2005, com a participação de 25 mil ruralistas. Conforme Dias, neste manifesto os representantes da Farsul, Fetag e Federarroz irão marcar presença levando as reivindicações do setor.

– É uma forma de mostrar a união das entidades – detalha.

No mesmo período, os produtores que estarão no Rio Grande do Sul deverão desencadear diversas ações.

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