Beneficiado recupera preços na semana

Saco de 60 quilos de arroz beneficiado teve cotação elevada em até R$ 1,00 no Rio Grande do Sul. Casca esteve firme, exceto no Mato Grosso onde foi registrada queda. O fardo de 30 quilos de arroz beneficiado segue com o mercado pressionando para baixo.

As chuvas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, aliadas à falta de arroz Primavera de melhor qualidade no Mato Grosso e a equivalência do produto do Centro-Oeste com o arroz do Sul, foram alguns dos fatores que interferiram para gerar uma ligeira recuperação nos preços do arroz beneficiado em sacos de 60 quilos nos últimos 10 dias. Na semana, este produto chegou a ser valorizado em R$ 1,00 o saco em algumas regiões gaúchas, passando de R$ 34,00 para R$ 35,00. Se o mercado continuar aquecido, a próxima semana poderá operar até R$ 0,50 acima, segundo agentes de mercado. Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Paraná são os principais estados que foram às compras e mexeram com as cotações.

Além da paridade de preços entre Sul e Centro-Oeste e uma evidente melhor qualidade do arroz sulista, os agentes de mercado consideram que a maior pressão dos compradores aconteceu nestas últimas semanas em função das chuvas. Muitas empresas teriam comprado o produto em casca para buscar na propriedade. Com as chuvas torrenciais das duas últimas semanas, os caminhões não conseguem entrar com tanta facilidade nas fazendas. Por isso, a alternativa seria comprar beneficiado de boa qualidade e a preços bem razoáveis – entre R$ 34,00 e R$ 37,00 dependendo da região – no Sul do Brasil.

Casca

Este ligeiro aquecimento da procura por arroz beneficiado gerou expectativa de melhores cotações para o produto em casca e para o fardo de 30 quilos de arroz beneficiado, que é o último na escala a sentir os reflexos do mercado. Alguns corretores e até mesmo algumas cooperativas arrozeiras, já sinalizam com a possibilidade de elevar as cotações na próxima semana entre R$ 0,15 e R$ 0,50 para o arroz com 58% de inteiros. Todavia, esta mudança nas tabelas está diretamente ligada à continuidade do aquecimento no mercado de beneficiado.

Na última semana, na Fronteira-Oeste gaúcha, algumas indústrias já ofertaram R$ 16,50 pelo saco de 50 quilos com 58% de inteiros, mas os produtores estão pedindo R$ 17,00. Os poucos negócios com casca na região estão ocorrendo na faixa de R$ 16,70 a R$ 17,00 e em volumes muito pequenos.

Em Pelotas, o aquecimento do mercado de quebrados e parboilizado para a exportação mantém o arroz com 58% de inteiros cotado na faixa de R$ 17,00, posto na indústria (CIF). Arroz de melhor qualidade e de variedades nobres (Irga 417 e BRS IRGA 409) são cotados entre R$ 17,50 e R$ 19,00 – dependendo do percentual de inteiros – em Itaqui, São Borja, Capivari do Sul e Santo Antônio da Patrulha. Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Rosário do Sul, Alegrete, Bagé, São Gabriel , Santa Maria e São Sepé, operam na faixa de R$ 16,00. Arroz para parboilização encontra preços de até R$ 15,50 na Fronteira-Oeste gaúcha.

O Sul catarinense, como Criciúma, Araranguá e Tubarão, opera com preços entre R$ 16,00 e R$ 17,00 para o arroz padrão (58%).

No Mato Grosso, o mercado mostrou ligeira queda. Poucas indústrias seguem comprando produto e mesmo o arroz de melhor qualidade não está encontrando compradores. Segue a grande oferta de arroz Cirad de baixa qualidade. O saco de 60 quilos do produto em casca, pouco manchado e com 40% de inteiros é colocado em Cuiabá a R$ 8,00, o que representa cerca de R$ 5,50 a R$ 6,00 ao produtor. Acima de 48% de inteiros, sem manchas, fica na casa dos R$ 12,00 posto em Cuiabá – ou entre R$ 9,50 e R$ 10,00 ao produtor. Esta semana foi registrado negócio de arroz Primavera com 56% de inteiros a R$ 20,00 posto em Cuiabá. No FOB, o preço ao produtor não passou de R$ 18,00.

Segundo o corretor da Futura Cereais, Jorge Fagundes, nota-se neste momento no Mato Grosso o aumento da oferta de arroz Cirad de melhor qualidade. Isso representa que muitos produtores e comerciantes que ainda guardavam semente de Cirad para a próxima safra, resolveram negociar o produto como grão. As cotações, no entanto, não passam de R$ 13,00, enquanto como semente renderiam R$ 39,00 o saco. Como poucos produtores querem plantar Cirad no Mato Grosso para a próxima safra, porque o produto não alcança classificação de longo fino, as sementes não estão tendo saída e resta a alternativa de tirar o custo vendendo como grão. Segundo Fagundes, a tendência é de aumento da oferta deste Cirad nas próximas semanas, à medida que não ocorra a saída das sementes.

Derivados

O mercado de derivados continua aquecido no Sul. O canjicão (quebrado) é vendido entre R$ 24,00 e R$ 24,50, dependendo do prazo e da qualidade. A quirera entre R$ 20,00 e R$ 20,50, mesmo com a notícia de que em setembro as exportações de arroz do Brasil foram muito fracas, divulgadas sexta-feira pela Secex.

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