Bororos iniciam colheita do arroz

Com incentivo da Prefeitura, índios começam a colher arroz no Mato Grosso.

Numa área de 30 hectares, plantadas pela Prefeitura de Rondonópolis dentro da reserva indígena do Tadarimana, os índios da nação bororo deram início à colheita do arroz.

Quem hoje visita a reserva, se depara com duas lavouras de arroz e uma de milho. O projeto idealizado pela Prefeitura teve o apoio da Fundação Mato Grosso, que em agosto de 2005 iniciou os trabalhos para elaborar o receituário agronômico, ou seja, análise do solo para posterior correção e adubação. A parceria com uma empresa de Sinop proporcionou gratuitamente as sementes de arroz selecionadas, do tipo “Cirad” ou “Agulhinha do Sequeiro”.

Em dezembro, foi realizado o plantio do arroz. “Um tanto tardio”, reconhece o coordenador do projeto, Adão Hipólito Garay da Silva.

– A plantação foi feita apenas em áreas que já haviam sido desmatadas anteriormente, nenhuma árvore foi arrancada – afirma Adão, enfatizando que a reserva está preservada.

O objetivo principal da administração municipal, segundo ele, está sendo alcançado.

– A lavoura vai gerar fartura, não haverá índio passando necessidades básicas – frisa.

Segundo Adão Hipólito, a produtividade média da lavoura na baixada (14ha) é de 55 sacas/ha, bastante alta.

A colheita da roça está sendo feita manualmente. O trator “bate” o arroz, ou seja, separa o grão da palha. Cada família colhe para si, a divisão foi feita pelos próprios índios em comum acordo.

O índio Luis Carlos Okoereu, 45 anos, comenta que a última vez que houve lavoura boa na região foi quando chegou o trator na aldeia, em 1976. Ele acredita que esse ano ninguém vai passar fome na aldeia.

– O prefeito, agora, também é bororo, ele foi batizado na aldeia, sabe das nossas necessidades e está ajudando. Assim tem de ser nas famílias, um ajuda o outro – diz Okoereu.

A família de Marlene Boretaro (40 anos) já tem 30 sacos estocados em casa. Ela, seus dois filhos, irmão e nora há três semanas colhem arroz todos os dias.

– Vale a pena, até as crianças ajudam, não podemos perder nenhum grão, vamos ter fartura esse ano. Depois do arroz ainda temos o milho pra colher, temos muito a agradecer ao prefeito – comenta a índia.

O encarregado do posto da Funai que se encontra na Reserva Tadarimana, “Seu Zezinho”, relata que os índios estão satisfeitos e realizados com a lavoura.

MEDIDAS POSITIVAS

As primeiras medidas tomadas pela administração Adilton Sachetti relacionadas aos bororos estão sendo avaliadas como bastante positivas.

– Hoje os recursos direcionados aos índios estão sendo utilizados de maneira adequada. Há meios para o transporte de doentes e alunos. O Casai (Casa de Saúde do Índio) foi reformado e ampliado. Há um trato mais sério com a questão do índio nessa administração. Sabemos de quanto são os recursos, onde e como estão sendo aplicados. Nem sempre foi assim – comenta o professor doutor Paulo Isaac, um estudioso da causa indígena em Rondonópolis.

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