Brasil próximo de exportar arroz Cirad

Uma ótima notícia para o Centro-Oeste. Negociação envolvendo a Conab, no Oriente Médio, abriu as portas para exportação de arroz Cirad – grão longo – beneficiado.

O Brasil pode estar encontrando uma solução para parte dos excedentes de arroz Cirad, classificado como longo, do Mato Grosso e de outros estados do Centro-Oeste. Nos próximos dias, uma trading brasileira estará enviando as primeiras amostras do produto beneficiado e planilhas de preços para um cliente do Oriente Médio que atenderá o mercado iraquiano. Um contêiner já está pronto para seguir tão logo as amostras recebam aprovação, para que seja iniciada a fase de avaliação da aceitabilidade do produto entre os consumidores.

Se aprovada a qualidade do arroz brasileiro, deve ser fechado contrato para venda de 25 mil toneladas – base casca – equivalente a um navio. O esforço seria para fechar pelo menos 100 mil toneladas – base casca – de exportação.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) age como facilitadora na negociação e prospectou o negócio durante o evento “O Brasil na Reconstrução do Iraque” que aconteceu no final da primeira quinzena de setembro em Amã, na Jordânia. Segundo o técnico em Planejamento da Conab, Paulo Morceli, um dos negociadores, os países árabes não têm idéia do potencial de produtos agrícolas brasileiros e, praticamente, pensam que o Brasil só dispõe de açúcar para vender para a região.

– Conseguimos abrir alguns caminhos para o arroz e o trigo. As perspectivas são muito boas e, uma vez confirmados os negócios, o cenário se torna mais promissor para o grão longo do Centro-Oeste e o trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul – frisou Morceli.

As exportações estão sendo negociadas com um distribuidor que irá atender ao Iraque. O país importa 1,2 milhões de toneladas de arroz beneficiado por ano. São 200 mil toneladas de arroz longo fino e 1 milhão de toneladas de arroz longo. Conseguindo ajustar preços e logística às necessidades do cliente, o Brasil poderá abocanhar uma fatia deste mercado de grão longo, principalmente pelos baixos preços da matéria-prima no mercado do Mato Grosso.

O maior desafio para o estado é a logística, pois o escoamento do arroz do Norte do Mato Grosso, além das distâncias, enfrenta problemas com estradas em precário estado de conservação. O processo será todo concentrado em São Paulo e, nesta primeira fase, estaria envolvendo apenas duas grandes empresas. Segundo um corretor especializado em exportação de arroz, o caminho para a exportação de Cirad é a formação de um pool de empresas, nos moldes do que acontece no Rio Grande do Sul com o quebrado e o parboilizado.

A baixa cotação do dólar é um dos fatores que se opõem ao negócio, mas a avaliação do setor é de que é preciso abrir as portas para a exportação também deste produto. Outra preocupação é a de que para exportação seria necessário produto de melhor qualidade e o grande volume de Cirad disponível no mercado interno é fraco. Segundo dados da Conab, o Mato Grosso dispõe no momento de um volume entre 700 mil toneladas e 800 mil toneladas de arroz da variedade Cirad. Pouco volume será plantado para a próxima safra.

CESTA BÁSICA

O Brasil também está de olho em outro projeto iraquiano. O governo deve fazer uma licitação internacional para contratar uma empresa que formará cestas básicas para serem distribuídas à população. Serão 26 milhões de cestas básicas por ano. O maior obstáculo é a necessidade de comprar no mercado internacional (principalmente no Oriente Médio) alguns itens da cesta básica iraquiana que não são produzidos no Brasil.

– A Conab não irá entrar diretamente na negociação, mas dará todo o suporte possível para que as empresas brasileiras interessadas participem. Este poderá ser um mercado interessante para os excedentes agrícolas brasileiros – frisa Paulo Morceli. A estratégia faz parte de uma nova postura dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio e de Relações Exteriores, que incluíram o arroz como um produto exportável do Brasil.

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