Cadeia produtiva aceita desafio de cuidar mais da água
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente lançaram em Santa Maria a proposta do Prêmio Gaúcho da Sustentabilidade do Uso da Água na Lavoura Irrigada.
A cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul está disposta a desenvolver normas e aplicar técnicas para melhor aproveitar os recursos hídricos. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente lançaram ontem, em Santa Maria, a proposta do Prêmio Gaúcho da Sustentabilidade do Uso da Água na Lavoura Irrigada.
O evento serviu como pontapé inicial para o desenvolvimento do projeto, que foi bem aceito pelos produtores que participaram das palestras e debates. A idéia é despertar a consciência para o melhor manejo da água, proposta que depende a partir de agora de um plano de ação que será desenvolvido pelos próprios produtores e suas entidades representativas.
O secretário executivo do Conselho de Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul, Paulo Paim, salientou que os órgãos ambientais são parceiros para desenvolver este projeto que irá agregar renda. “Órgão ambiental não deve ser visto como um bicho-papão que atua apenas para licenciar, fiscalizar e multar. É preciso uma integração de todos para fazer um bom trabalho”, frisou Paim.
Segundo o vice-presidente da Farsul, Francisco Schardong, a proposta não é da entidade Farsul, mas de todos os produtores bem intencionados. “Não há quem goste mais do meio ambiente do que os produtores rurais que tiram da terra o alimento”, destacou Schardong. O prêmio aos produtores que melhor aproveitarem a água em suas lavouras será um selo reconhecendo o trabalho, uma forma de agregar valores a partir da identificação dos produtores que mostrarem a sustentabilidade no uso da água.
O presidente do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), Pery Sperotto Coelho, disse que todas as parcerias e avanços no agronegócio são possíveis porque o Governo do Estado facilita esta evolução. “É um conjunto de ações do governador Germano Rigotto que estão sendo aplicadas para enfrentar o problema que está se avizinhando, que é a outorga da água. Nós produtores de arroz não somos consumidores, mas sim recicladores da água”, discursou Pery.
NÚMEROS
Segundo o representante da Agência Nacional de Águas, Devanir dos Santos, somente 3% da água do planeta é água doce, própria para o consumo e para a agricultura. Além da grande maioria dos recursos hídricos ser água salgada, há outras complicadores ao acesso na parte de água doce, como a grande quantidade que está concentrada nos pólos (está congelada) e outra parcela que está no subsolo.
Uma análise mais dinâmica indica que a cada 1.000 litros de água do planeta, 970 litros são água do mar (salgada), 20 litros estão nos pólos, sete litros estão no subterrâneo e apenas três litros são de água doce.


