Cadeia produtiva aprovou leilão de arroz no Sul
Representantes da indústria e dos produtores consideraram acertada a medida do governo federal de promover leilões. Para os produtores, o que valeu foi o preço harmônico
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A reunião entre representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta segunda-feira com a cadeia produtiva de arroz do Rio Grande e Santa Catarina, terminou com todos os envolvidos satisfeiros. Embora inicialmente os produtores considerassem desnecessária a realização de leilões em novembro, o anúncio foi considerado adequado ao momento, principalmente em função dos preços definidos.
O leilão que será realizado na próxima semana (9/10), terá preço de abertura de R$ 26,20 para o saco de 50 quilos de arroz com 58% de grãos inteiros, com ágio e deságio por qualidade. O preço está acima do mercado médio gaúcho e remunera os custos de armazenagem, principalmente, mais juros desde a safra.
Para o diretor de Mercados da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, Marco Aurélio Marques Tavares, houve um acordo entre governo, indústria e produtores sem que nenhum destes setores tenha perdas maiores.
– Reconhecemos que, para o momento, é importante que haja um balizamento do mercado a fim de que não ocorra uma escalada de preços que possa causar uma intervenção unilateral do governo federal. Isso, sim, seria muito ruim para o mercado. Se o preço de abertura dos leilões não é dos mais atrativos, ao menos é razoável para o setor produtivo que há alguns meses era forçado a vender o produto por R$ 17,00.
Tavares lembrou que desta vez, como nos últimos anos, a decisão da Conab esteve pautada em estudos técnicos cujos resultados estiveram muito próximos daqueles encontrados pela cadeia produtiva. Lembra que com a alta produtividade que vem sendo alcançada no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, este patamar de preços está muito próximo do custo de produção.
– Para muitos produtores que realizam o manejo adequado e alcançam alta produtividade, o valor é até rentável reconhece o dirigente da Federarroz. Explica, todavia, que esta não é a realidade da maior parte da lavoura.
Para o setor, também foi positiva a decisão no sentido de que a Conab estará abrindo espaço para a nova safra, se for preciso formar estoques públicos para socorrer os preços internos. Com a decisão do setor pela realização dos leilões, o mercado vai estar se regulando pela expectativa de produção da próxima safra, interferência do clima e pelo mercado internacional. Os R$ 26,20 de preço de abertura nos leilões para o saco de 50 quilos de arroz 58×10 consolidam um valor intermediário entre os R$ 29,00/R$ 30,00 da paridade de importação de terceiros mercados (EUA, Tailândia, Vietnã) e os R$ 23,00 do Mercosul.
INDÚSTRIA
O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias do Arroz do Rio Grande do Sul (Sindarroz-RS), César Gazzaneo, também considerou positiva a medida. Segundo ele, a indústria gaúcha está desabastecida e vive um verdadeiro dilema entre a falta de oferta dos produtores e a não-aceitação do repasse de preços do produto em casca para o beneficiado, pelo varejo.
– Os leilões da Conab não só estão balizando os preços, apresentando um indicativo que os supermercadistas terão que assimilar, como também estão gerando uma situação de oferta regular e sistemática. Se o produtor não vender de forma regular, os estoques federais estarão atendendo a demanda da indústria sem que isso signifique aviltamento do mercado.
Para Gazzaneo, o preço acordado entre Conab, MAPA e cadeia produtiva, surpreendeu positivamente até mesmo os produtores, mas neste momento era crucial dar uma referência ao mercado. E foi o que o governo federal fez.


