Capital Nacional do Arroz também terá seu tratoraço
Mobilização dos arrozeiros de Cachoeira do Sul (RS) será nesta segunda-feira.
Os produtores rurais estão se organizando para fazer uma manifestação histórica em Cachoeira do Sul (RS), cidade que detém o título de Capital Nacional do Arroz e sedia a Feira Nacional do Arroz (Fenarroz) de dois em dois anos. Com o setor agropecuário em crise e sem apoio do Governo Federal, os ruralistas prometem parar Cachoeira a partir do meio-dia desta segunda-feira 6 com um tratoraço.
A mobilização iniciou ontem, em uma reunião das lideranças do setor primário com o prefeito Marlon Santos, que irá dispensar os servidores municipais para participarem da manifestação, assim como os estudantes das escolas municipais. O tratoraço vai iniciar no Posto Centenário, no Bairro Marina, atravessando a cidade até a Praça da Matriz, onde haverá um momento de oração.
O presidente da União Central dos Rizicultores (UCR) e vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Gilmar Freitag, enfatiza que a intenção é sensibilizar a comunidade cachoeirense sobre a crise no campo. Tudo vai parar com a crise no setor primário. O comércio já está sentindo os reflexos desta crise, que afeta toda a economia, frisou.
Freitag salienta que todos os produtores e comunidade estão convocados para participar do tratoraço. A lavoura de arroz, assim como todo o agronegócio, está passando por um momento de muitas dificuldades. Por isso, solicitamos a todos que compreendam esta situação e nos apóiem na manifestação, desabafa o produtor Arlei Haetinger.
O presidente da maior cooperativa da cidade, a Coriscal, Sérgio Castagnino, afirma que se o Governo Federal não tomar medidas urgentes, a fim de valorizar a produção agrícola, os prejuízos serão muito grandes.
O prefeito Marlon espera o apoio da comunidade na manifestação. Cachoeira depende muito da agricultura. Espero que este momento de oração acabe comovendo as lideranças políticas que lidam diretamente com a economia e que eles se conscientizem, convoca Marlon.
O produtor Ademar Kochenborger pretende trazer sete tratores para a cidade. Todos os cachoeirenses que participaram em Porto Alegre estão de parabéns e devem participar de novo. Quem não pôde ir à capital, que participe agora. O momento é de união, destacou. Ele espera que pelo menos 200 veículos participem do tratoraço.
CRISE
A crise na orizicultura teve origem em 2004, quando o Brasil atingiu a auto-suficiência na produção de arroz, ultrapassando as 12,5 milhões de toneladas. Mesmo produzindo mais do que consome, o país continuou importando o grão de países como Uruguai, Argentina, Estados Unidos e Tailândia, causando excesso de estoques e baixa de preços.
De janeiro a abril deste ano, o Brasil comprou dos países vizinhos mais de 100 mil toneladas. A maior parte do produto entra pelo Rio Grande do Sul e vai para o centro do país. O arroz do Mercosul chega no Brasil custando de R$ 20,00 a R$ 22,00 a saca de 50 quilos, enquanto os custos de produção no estado superam os R$ 30,00 por saca, segundo os arrozeiros.
O QUE QUEREM OS PRODUTORES
Cancelamento das importações de arroz do Mercosul, sendo dada prioridade à produção nacional.
Criação de condições para que os produtores possam realizar a importação de insumos, a preços mais baixos, reduzindo o custo de produção.
Estabelecimento de mecanismos de apoio à comercialização de grãos.
Renegociação das dívidas securitizadas e construção de proposta para a solução do endividamento dos produtores causada pela frustração das culturas e receitas na última safra, que compromete potencial de investimentos futuros na produção.


