Casca de arroz é energia

São Borja e Alegrete, no Rio Grande do Sul, terão termelétricas que usarão cereal como combustível
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O uso da casca de arroz como combustível para termelétricas ganhou novo impulso no Rio Grande do Sul com os anúncios das instalações de uma usina com potência de 4 megawatts (MW) em Alegrete, nesta semana, e de outra de 12 MW em São Borja, no mês passado. Mais quatro usinas estão na fase de projeto no Estado.

Quando entrar em funcionamento, no segundo semestre de 2007, a unidade em São Borja será responsável pela maior parte da energia produzida no Estado a partir do subproduto do arroz. O empreendimento é da Hamburgo, subsidiária da CCC Machinery, da Alemanha. Para erguer e administrar o negócio, a empresa usará capital alemão, cerca de R$ 36,26 milhões.

– A intenção é repassar esta energia para uma comercializadora – afirma o diretor da Hamburgo, Alan de Oliveira Barbosa.

A abundância de matéria-prima foi decisiva para a instalação do empreendimento na Fronteira Oeste, explica o executivo. A empresa ficará ao lado da Unidade 2 da Pirahy Alimentos, a maior beneficiadora de arroz do município, que fornecerá cerca de 65% da matéria-prima.

Barbosa lembra que a instalação de uma usina ainda pode conferir mais qualidade ao produto empacotado pela beneficiadoras. O vapor produzido nas caldeiras, nas plantas mais modernas, pode ser usado na secagem do grão, ao contrário do método tradicional feito com fogo direto (com fumaça).

O projeto em Alegrete é da indústria de arroz Pilecco, que investirá R$ 25 milhões. O diferencial do negócio – a ser inaugurado em 12 meses – é que a empresa, além de gerar energia com a queima da casca do arroz, extrairá sílica das cinzas restantes da combustão. O produto serve como matéria-prima para indústrias como a da borracha, do cimento e eletrônica. Além disso, a Pilecco pretende usar galhos de florestas plantadas não aproveitados pelas indústrias de celulose, também como combustível para geração de energia. Uma das idéias é fazer parceria com a Stora Enso, indústria de celulose que iniciou plantio de árvores e, em cinco anos, deve inaugurar uma fábrica na região.

POTENCIAL
Conforme a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações, a casca de arroz poderia ser responsável por gerar 220 MW de energia elétrica por hora, ou seja, 9,1% da produção média do Rio Grande do Sul, que é de 2,4 mil MW por hora, e suficiente para abastecer toda a Fronteira Oeste, por exemplo.

FINANCIAMENTO, TAREFA DIFÍCIL

De seis projetos de usinas que utilizam casca de arroz em andamento no Rio Grande do Sul, apenas um, a da Pilecco, em Alegrete, já obteve financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Ricardo Pretz, diretor da PTZ Bioenergy, responsável pelos investimentos de Camil, Josapar, Cooperativa Agroindustrial Alegrete (CAAL), entre outros, as empresas esbarram na falta de financiamentos acessíveis.

– As vantagens não são novidade, o problema é que neste tipo de usina quem tem que buscar o financiamento é a própria empresa e não o Estado – explica Pretz.

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