Castelo, Lupo e Camil optam por diversificação e crescem

Elas conseguiram expandir a área de atuação e otimizar a estrutura industrial com reduzido aumento dos custos fixos e valem-se da credibilidade conquistada no mercado para ampliar o leque de produtos.

Em diferentes áreas de atuação, a Lupo, a Castelo e a Camil, que nasceram e se consolidaram no mercado como fabricantes de um único item, hoje colhem os frutos de um acelerado processo de ampliação do portfólio de produtos e da entrada em novos segmentos. Elas conseguiram expandir a área de atuação e otimizar a estrutura industrial com reduzido aumento dos custos fixos e valem-se da credibilidade conquistada no mercado para ampliar o leque de produtos.

A Camil, que industrializava principalmente arroz, já comercializa 8 grãos. A Lupo, que começou apenas com meias, fabrica cuecas, lingerie e camisettes. A Castelo, fabricante de vinagre, tem agora uma linha de conservas de vegetais, atomatados e molhos. A expansão a áreas complementares foi tão intensa no caso da Castelo que a empresa substituiu a palavra ‘vinagres’, de seu nome, por ‘alimentos’.

– Nosso objetivo com a ampliação do leque de linhas de produtos é maximizar o capital investido na empresa durante os mais de cem anos de sua existência – explica o superintendente da Castelo Alimentos, Marcelo Cereser.

A estratégia é aumentar o faturamento da empresa sem ampliar os custos fixos. Em 2004, quando o nome da companhia foi mudado, o faturamento foi de R$ 38 milhões; no ano seguinte, esse valor saltou para R$ 42 milhões. A expectativa para 2006 é de crescimento de 10% no faturamento.

O pequeno varejo é o principal canal a absorver os novos produtos, garante Cereser. Os investimentos para introduzir novos itens nas gôndolas das grandes redes varejistas são altos, de forma que o pequeno varejo, pouco atendido pela maioria das empresas, é o único que os absorve sem custos extras, diz o superintendente.

– Nós já temos os gastos para os representantes de vendas visitarem os pontos-de-venda distantes. Agora eles só ofertarão uma gama maior de produtos, o que é bom também para o pequeno varejo – diz Cereser.

O aumento do portfólio também é usado pela indústria alimentícia para valorizar a marca. Com esse objetivo, a Castelo lançou ‘acetos’ balsâmicos e vinagres flavorizados.

– Alguns produtos têm a função de agregar valor à marca. Essas linhas comunicam ao consumidor do nível de qualidade exigido na empresa – conclui Cereser.

Para o executivo, o grande desafio é alcançar o ponto exato de ampliação do mix sem que a estrutura fixa da indústria seja pressionada e apresente problemas.

A companhia prepara um aporte na casa de R$ 8 milhões para a aquisição de máquinas de injeção, a fim de elevar a produção de embalagens, além de uma linha de envase mais ampla, com a função de atender às necessidades criadas com a ampliação do portfólio.

Na Lupo, tradicional fabricante de meias, a ampliação do portfólio foi tamanha que agora inclui cuecas, lingerie, blusas, e, há algumas semanas, a empresa entrou no segmento de pijamas. Atualmente, seu principal produto, as meias, representa cerca de 70% do faturamento de R$ 250 milhões da Lupo, que continuará a ampliar os segmentos em que atua.

– Podemos ampliar os itens para homens com underwear (roupas de baixo) para o frio, por exemplo. Estamos estudando opções – afirma Valquírio Cabral Junior, diretor comercial da Lupo.

O faturamento crescente da Lupo é resultado da ampliação de linhas de produtos. A expectativa é ampliar o faturamento em pelo menos 12% este ano.

Para Junior, porém, é preciso cuidado ao avançar em novos segmentos para não fugir do foco do negócio. Para avaliar o mercado e saber a opinião do consumidor fiel à marca, a Lupo tem uma rede de lojas próprias onde os novos itens são lançados.

– Muitas das idéias para novos produtos vêm das nossas lojas.
O consumidor quer encontrar itens para toda a família nas lojas e deseja produtos com a credibilidade da Lupo – explica o diretor comercial.

ARROZ

A Camil, uma das maiores e mais tradicionais produtoras de arroz e feijão, há sete anos resolveu expandir seu sortimento de produtos. Com cerca de um lançamento por ano, a empresa hoje já possui oito tipos de produto na sua chamada “linha de cores”.

Além dos feijões normais, o branco e o preto, a empresa comercializa ervilha, grão-de-bico e soja, dentre outros.

– Neste ano lançamos também novos tipos de arroz, como o branco parboilizado e o arborio italiano, muito utilizado para risotos – afirma Jacques Quartiero, diretor de marketing da Camil. Ele acrescenta que mais lançamentos estão programados até o final do ano.

Embora os novos produtos não garantam um forte incremento nas vendas, o executivo julga ser importante ampliar a quantidade de produtos.

– Como maior produtor de arroz do Brasil, é importante variar a gama de produtos – diz Quartiero.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter