Chuva na fronteira ainda não garante safra

As chuvas que ocorreram na Fronteira-Oeste e Campanha gaúchas desde o final de semana não garantiram a recuperação das barragens. As chuvas foram de 10 milímetros a 140 milímetros em algumas regiões, mas a expectativa ainda é de redução de área plantada no Rio Grande do Sul para a próxima safra.

As chuvas que chegaram no Rio Grande do Sul no último sábado ainda não foram suficientes para dar grandes esperanças aos arrozeiros gaúchos da Fronteira-Oeste, que ainda enfrenta reflexos de uma prolongada estiagem desde o verão de 2004. A situação mais crítica está nas cidades de São Borja e Itaqui.

Em São Borja, nos últimos dias foram registrados 25 milímetros de chuvas, segundo o engenheiro-agrônomo Edson Luiz Prado, do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga). Segundo ele, a garantia de água para a formação da próxima lavoura na região é apenas o Rio Uruguai. Muitas barragens estão secas. A maior parte, no entanto, registra níveis de água que vão de 25% a 40%. “Hoje, precisamos que chova mais uns 300 milímetros até o plantio para recuperar as barragens por um tempo”, explicou. A previsão é de que ocorram mais 70 milímetros de chuvas no município até o final do mês.

Em Uruguaiana, maior produtor individual de arroz do Brasil, representando 6% da produção nacional, a situação também é preocupante. Na maior parte do município choveu de 10 milímetros a 30 milímetros esta semana. Na região mais próxima à fronteira, em Barra do Quaraí, choveu 140 milímetros. O presidente da Associação de Arrozeiros de Uruguaiana, Júlio Alberto Silveira Filho, explicou que no momento a expectativa é de uma grande redução nos 95 mil hectares plantados no município no ano passado.

Embora já existam lavouras em formação e a fronteira costume plantar no cedo, ele considera que qualquer previsão é muito precoce. “Estamos bastante otimistas de que vai chover bem até o final do ano”, explicou. Segundo Júlio Alberto Silveira Filho, se chover bem até novembro, Uruguaiana e Barra do Quaraí podem até repetir a área plantada do ano passado, pois dispõem de um grande parque de máquinas, apto a plantar em pouco tempo. “As lavouras estão prontas. Só falta entrar plantando e ter a garantia de água para a irrigação”, garantiu.

Na região da Campanha, as chuvas desta semana trouxeram novo alento. A situação é menos grave. O diretor-executivo da Federarroz, Renato Rocha, acredita que atualmente Dom Pedrito tem água para garantir o plantio de 80% da área do ano passado. Esta semana choveu entre 80 milímetros e 100 milímetros no município. “Mas umas chuvas destas e está garantido o plantio”, afirmou. Na Depressão Central, no Sul e no Litoral as barragens e mananciais estão próximas do nível histórico, indicando repetição de área.

A Emater, no entanto, destacou que as temperaturas muito elevadas da semana passada, que chegaram a 35 graus, agravaram a situação de falta de água nas barragens, que já se encontravam com seus níveis muito baixos. A cada semana torna-se mais crítica a perspectiva da lavoura de arroz que ainda não foi plantada, pois dificilmente as chuvas que vierem a ocorrer até novembro conseguirão repor o nível dos reservatórios usados na irrigação. Se as chuvas vierem na intensidade necessária para recuperar estes níveis, por certo prejudicarão o plantio, provocando atraso na implantação das lavouras.

Em São Borja, onde a média das precipitações no período de janeiro a agosto é de 970 mm, choveu apenas 509 mm, com um déficit hídrico de 47,5%. No município, já começa a escassear a água potável nas localidades do interior. Em decorrência desta situação, a prefeitura de São Borja decretou estado de emergência no último dia 8. Segundo a Emater, em São Borja a redução das chuvas neste ano já faz prever uma diminuição na área plantada da cultura que talvez chegue aos 40%, pois as barragens e reservatórios de água para irrigação estão com menos de 30% de suas capacidades.

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