Clima de indignação no rescaldo dos leilões
A maior parte dos produtores que atuam em protestos e estão mobilizados em busca da recuperação do mercado ficou sem contratos públicos de opção .
Um clima de inconformidade e indignação foi criado entre os produtores de arroz depois de avaliado o resultado dos leilões de contratos públicos de opção realizados na quarta-feira. Ficou constatado que muitos dos produtores que estão há mais de 90 dias envolvidos com a mobilização pela liberação dos mecanismos de comercialização, nos protestos e bloqueio das fronteiras e que atravessaram noites de chuva e frio à beira da estrada para manter o movimento, não tiveram acesso aos contratos.
Produtores de muitos municípios que foram organizados para as bolsas de mercadorias de Porto Alegre, Pelotas e Uruguaiana, nesta quarta-feira, abriram mão da participação para evitar que o ágio fosse maior que os R$ 0,91 por saco. Foi mais um sacrifício para evitar que o preço ao produtor caísse ainda mais e o mercado sinalizasse com valores equivalentes aos atualmente praticados.
A estratégia de outros produtores de participarem do leilão através da Bolsa de Maringá, furando o esquema montado para dar sustentação ao mercado foi considerada um golpe baixo pelos coordenadores do movimento de mobilização, que avaliam no final da tarde desta quinta-feira a listagem dos produtores que compraram contratos sem obedecerem o critério de cota máxima por município e produtor acertado em assembléia da categoria, no sábado, em Santa Maria.
O resultado do leilão de quarta-feira poderá colocar a estratégia por terra. Alguns produtores que se retiraram do leilão de quarta-feira, já avisaram que não participarão da estratégia no próximo e vão comprar contratos. Diante deste novo cenário, provavelmente o ágio será significativamente maior. Os próximos leilões de contratos de opção público e privado não acontecerão na próxima semana, segundo informação ainda extra-oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Segundo fontes do MAPA, haverá um intervalo de 15 dias entre os leilões.
Este cenário já preocupava os produtores durante as negociações com o governo federal. Segundo o presidente de uma associação de arrozeiros da Fronteira-Oeste, ao oferecer contratos na faixa de R$ 24,00 o governo federal faz com que os produtores entrem numa disputa por migalhas, briguem entre eles e reduzam o impacto da mobilização e da pressão sobre os Ministérios e a Presidência da República.


