CNPAF realizou seminário para debater produção integrada do arroz

Produção integrada de arroz no Brasil requer normas de certificação de qualidade.

Com o objetivo de apresentar novas linhas de investigação científica ainda não contempladas na Embrapa Arroz e Feijão, o Núcleo Temático de Inovação Tecnológica do centro de pesquisa promoveu em setembro o seminário “Produção Integrada de Arroz”, cuja palestrante foi Maria Laura Turino Mattos, uma das mais renomadas profissionais da empresa na produção de culturas em sistemas agroecológicos.

Em sua exposição, a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado esclareceu que a produção integrada visa a geração de alimentos dentro de uma concepção holística em consonância com os conceitos de Segurança Alimentar e Ambiental, e que inclui desde o segmento lavoureiro até o agroindustrial.

Logo, a produção integrada preconiza a observação de normas de certificação de qualidade, tais como a adoção de Boas Práticas Agrícolas (BPA), Boas Práticas de Higiene Ocupacional (BPHO) e ISO. Os primeiros passos concretos no sentido de implantar, em nível nacional, a Produção Integrada de Arroz, um sistema que, sem comprometer a produção, leva em conta aspectos essenciais da sustentabilidade ambiental e contribui para a colheita de grãos do cereal isentos de resíduos de contaminação, garantindo também maior competitividade para o arroz brasileiro nos mercados internacionais.

Deve também ser levada em consideração a rastreabilidade de produtos e, de forma mais abrangente, até o respeito à legislação trabalhista e as ações voltadas para o desenvolvimento da responsabilidade social das empresas e de seus fornecedores.
“Trata-se um processo de produção controlado, a ser implantado por etapas e que confere agregação de valor ao produto final”, afirma Maria Laura. Com isso, a pesquisadora explica que a produção integrada pode aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro e contribuir para a abertura de mercados internacionais mais exigentes e que se utilizam de barreiras não-tarifárias para salvaguardar seu comércio interno.

Em termos práticos, Maria Laura cita o exemplo da cidade de Agudo (RS), onde uma comunidade de agricultores obteve melhor eficiência no uso de fertilizantes e agrotóxicos para a cultura do arroz irrigado, o que significou aplicar somente a quantidade necessária destes insumos para o nível adequado de produção.
Ela informou ainda que o projeto de Produção Integrada de Arroz, sob sua coordenação, teve recentemente a aprovação técnica do Ministério da Agricultura e que serão alocados recursos dos fundos setoriais do governo federal para sua sustentação e expansão nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

De acordo com a chefe-geral da Embrapa Arroz e Feijão, Beatriz da Silveira Pinheiro, a iniciativa exitosa poderia servir de modelo para a elaboração de um projeto para produção integrada de arroz de terras altas. Desta forma, o cereal poderia ser mais valorizado por meio de um selo de garantia de qualidade como hoje já acontece com algumas frutas exportadas, sendo o principal exemplo a maçã.

O seminário “Produção Integrada de Arroz” contou ainda com a exposição do pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Agostinho Didonet, que discorreu sobre o tema da agricultura orgânica, abordando questões como crescimento de mercado; regulamentação e certificação de produtos no Brasil, Estados Unidos e União Européia; ações de fomento ao desenvolvimento do segmento produtivo, entre outros.

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