Colheita acelerada, alta de preços enfraquecendo e expectativa nos leilões

A aceleração da colheita de arroz, principalmente no Sul do Brasil, está provocando o enfraquecimento do processo de recuperação de preços. Expectativa é de uma sinalização mais forte a partir do leilão da próxima terça-feira.

Os preços do arroz em casca no Sul do Brasil praticamente mantiveram os patamares dos últimos 15 dias na semana que passou e seguem uma tendência de manutenção das atuais cotações com risco de ligeira queda, na segunda semana de abril, segundo os principais analistas. A estagnação da alta se deu, principalmente, porque o bom tempo permitiu a aceleração da colheita do arroz no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os dois maiores produtores brasileiros, promovendo também um aumento da oferta.

A única forma deste cenário se alterar seria uma reação mais contundente do mercado brasileiro de arroz ao leilão de contratos de opção da próxima terça-feira e ao anúncio do 7o Levantamento de Safra da Conab, divulgados na última quarta-feira, prevendo uma redução na produção nacional (ainda sem contar as perdas gaúchas e catarinenses pelo clima adverso) e também no estoque de passagem. Os analistas, porém, não vêm esta tendência com força para alterar o padrão do mercado até maio, quando o cenário deve mudar para uma alta gradual nos preços do mercado interno, se não houver uma enxurrada de produtos do Mercosul.

Os preços do arroz em casca se mantiveram num patamar de R$ 20,00 a R$ 21,00 nas principais regiões gaúchas para produto de 50 quilos com 58% de inteiros. Pelotas, Itaqui, Uruguaiana e Camaquã mantêm cotações médias na faixa de R$ 21,00 para o arroz colocado na indústria. O Litoral Norte (Capivari do Sul e Santo Antônio da Patrulha) fixa preços médios de R$ 24,00 para o arroz das variedades nobres e com 63% de grãos inteiros. O IRGA 422CL alcança entre R$ 21,00 e R$ 22,00 na região, com boa qualidade.

A Emater/RS indica média de preços de R$ 20,61 para o arroz posto na indústria e o Cepea/Esalq, R$ 20,90.

OUTROS ESTADOS

Em Santa Catarina é mantido o padrão de R$ 21,00 em média para o produto com 58% de inteiros (50kg) em Jaraguá do Sul e no Sul catarinense. A colheita entra na reta final.

No Mato Grosso os preços oscilaram um pouco durante a semana e fecharam com média de R$ 23,00, mas com algumas indústrias já sinalizando baixa, também pela aceleração da safra. O anúncio feito pela Conab de uma quebra significativa por fatores climáticos, pode alterar este quadro verificado até cinco de abril. A deficiência de logística do estado é coadjuvante nesta pressão de oferta.

MERCOSUL

Os últimos dados indicando uma possível redução na capacidade de oferta de arroz do Mercosul para o mercado brasileiro (por abrir terceiros e mais rentáveis mercados), associados ao rigor que será exigido nas fronteiras gaúchas, ainda não apresentam qualquer efeito. Segundo agentes de mercado, é baixo o volume de importações neste período.

INDÚSTRIA

Em algumas regiões, a indústria está tratando de repor estoques e aproveitar a oferta dos produtores menos capitalizados e sem o amparo de estruturas de secagem e armazenagem. O arroz a depósito só é aceito mediante condições especiais. A indústria prefere a compra. E com prazo. O varejo não demonstrou ainda o ímpeto aguardado pelas beneficiadoras.

O arroz beneficiado já é comercializado em valores ligeiramente superiores aos de fevereiro, mas ainda existem muitas ofertas nas gôndolas dos supermercados, com cinco quilos de arroz branco, Tipo 1, variando entre R$ 5,50 e R$ 8,00, dependendo da marca.

A saca de 60 quilos de arroz beneficiado é comercializada internamente, no Rio Grande do Sul, entre R$ 42,00 e R$ 43,00. Chega a São Paulo entre R$ 55,00 e R$ 58,00.O fardo de 30 quilos do arroz Tipo 1, branco e gaúcho, chega a São Paulo em média por R$ 32,50. Há produto de marcas alternativas alcançando até R$ 29,00 e das marcas “top”, na faixa de R$ 37,00 a R$ 39,00.

TENDÊNCIAS

O momento para a comercialização de arroz exige muita cautela por parte dos produtores. A aceleração da oferta está colocando em risco a curva ascendente do mercado que ainda não se firmou ou alcançou o patamar do preço mínimo de R$ 22,00. Nesta semana, dois momentos importantes acontecem. Uma reunião de produtores gaúchos com o ministro da Agricultura, em Brasília, poderá resultar no anúncio de recursos para novos leilões de contratos de opção e também do PEP de arroz beneficiado do Sul do Brasil para outras regiões, exceto Sudeste e Centro-Oeste.

O outro tema é o leilão de contratos de opção desta terça-feira, que poderá gerar resultados favoráveis ao setor.

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