Comercialização e preços mais fracos no Sul. Estabilidade e alta nas outras regiões
Indústrias fora de mercado, feriadão, varejo pouco comprador e pressão de importações reduzem cotações no Sul. Nos demais estados, preços estáveis e em alta.
Os preços referenciais do arroz em casca caíram em quase todas as regiões gaúchas na última semana, confirmando tendência antecipada pelos especialistas em razão do aumento de oferta dos produtores. O movimento de venda buscou, principalmente, atender compromissos com parcelamento de custeio e dívidas renegociadas, bem como angariar recursos para atender às necessidades do plantio. A demora do Banco do Brasil em adotar os mecanismos de renegociação de dívidas e, também, o aumento da importação do Mercosul, associados a uma retirada estratégica das grandes indústrias do mercado, são fatores que interferiram negativamente nas cotações gaúchas.
A baixa, em média, ficou em R$ 0,50 por saca de 50 quilos, nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul. A indústria gaúcha só compra estoques que já está depositado em seus armazéns e em condições muito favoráveis. O varejo retraiu-se e também só negocia lotes de arroz beneficiado em condições vantajosas e prioriza importações do Mercosul.
Na última sexta-feira, o indicador Cepea/Esalq fechou em R$ 23,70 para a saca de 50 quilos (referência de 58% de grãos inteiros), entregue na indústria gaúcha. O valor é o menor em mais de um mês, atingindo patamar aproximado da primeira quinzena de agosto. A queda, em setembro, já acumula 3,32%. Analistas ligados às entidades de produtores e governamentais consideram que o movimento de baixa será estancado com as notícias de liberação de custeio oficial e prorrogação das parcelas de dívidas antigas, além da liberação de leilões subsidiados de arroz gaúcho para atender à demanda do Centro-Oeste, principalmente do Mato Grosso. Todavia, os analistas ligados às agências privadas, apostam que o aumento das exportações (principalmente com a Argentina entrando com mais força no segundo semestre no movimento de venda para o Brasil) e uma reavaliação dos estoques de passagem para cima até perto de 1 milhão de toneladas podem influenciar o mercado a manter a tendência de baixa até o surgimento de um panorama mais positivo.
– O aumento das exportações, as indústrias fora do mercado, o varejo pressionando por menores preços, o produtor ofertando, os estoques que devem fechar o ano com o dobro da previsão inicial da Conab, bem como o início de leilões de arroz a partir de outubro, são fatores que precisam ser considerados diz um analista.
Ele afirma que a união destes fatores, fatalmente afetará as cotações.
– E temos que considerar que só o Rio Grande do Sul deverá aumentar em mais de 10% sua área e, provavelmente, sua produção acrescentou para Planeta Arroz.
Sendo assim, o arroz em casca com 58% de grãos inteiros está sendo negociado muito lentamente e com restrições no Rio Grande do Sul, com preços médios entre R$ 22,75 e R$ 23,50. Exceto nos casos do Litoral Norte, onde o padrão é arroz com mais de 62% de grãos inteiros e variedades nobres, que alcança cotação entre R$ 26,00 e R$ 29,00, com queda de até R$ 1,00 nos últimos 10 dias. Na Fronteira-Oeste, as variedades nobres alcançam cotação até próximo de R$ 24,00. Pelotas, Camaquã e Itaqui (posto na indústria), trabalham com preços referenciais de R$ 24,00 a R$ 25,00, mas com baixo volume de negócios. A região da Campanha, Fronteira-Oeste e Depressão Central, indicaram queda nos preços da saca de até R$ 0,50 esta semana, com média entre R$ 23,00 e R$ 23,50, principalmente.
ESTADOS
Em Santa Catarina, o plantio de arroz da safra 2007/08 está em andamento. Nota-se aumento significativo do plantio do cedo na temporada para aproveitamento da rebrota, inclusive em áreas de maior risco. O clima nas regiões produtoras é bastante favorável com sol intenso e boa luminosidade, embora o último final de semana tenha apresentado chuvas.
O mercado do beneficiado iniciou a semana com preços firmes nas principais praças de comercializaçao do País, comportamento que tem sido comum nas últimas semanas. O arroz em casca, com pequena retenção por parte dos produtores, apresentou recuo na oferta, provocando reação nos preços praticados. No Sul catarinense há negócios entre R$ 22,25 e R$ 22,50 para a saca de 50 quilos com 58% de grãos inteiros, embora algumas empresas cheguem a indicar cotações maiores. Em Jaraguá do Sul, indicação de negócios a R$ 22,75.
No Mato Grosso os preços continuam firmes, com cotação média de R$ 28,00 para Sinop e Sorriso na saca de 60 quilos de boa qualidade. O arroz primavera, com mais de 50% de grãos inteiros chega a valer R$ 31,00 nestas regiões e pode ser comercializado na faixa de até R$ 33,00 em Cuiabá e Várzea Grande. Na primeira semana de outubro a Conab deverá liberar a realização de leilões subsidiados para arroz gaúcho direcionado ao abastecimento das indústrias do Mato Grosso. Os leilões públicos no estado indicam estoques no fim e produto de baixa qualidade. Ainda assim, as maiores indústrias estão estocadas até a próxima safra e as de médio e pequeno porte operam no limite mínimo da capacidade operacional.
BENEFICIADO
A indústria gaúcha segue fora do mercado. O varejo pressiona por preços mais baixos, ante a pressão verificada nas pesquisas e indicadores de inflação de agosto e das duas primeiras semanas de setembro, indicando o arroz como um dos vilões. As cotações nominais médias para o fardo de 30 quilos de arroz do Tipo 1, gaúcho, seguem na faixa de R$ 34,00. Vale para o produto posto em São Paulo pelo preço à vista. Todavia, há negócios dos produtos top de linha na faixa de R$ 45,00 e de produtos de segunda linha na faixa de R$ 29,00.
A saca de 60 quilos de arroz beneficiado apresentou indicação média de R$ 47,00 no Rio Grande do Sul nas últimas quatro semanas. Para o varejo, no entanto, aumentou, chegando a São Paulo entre R$ 62,00 e R$ 65,00.
DERIVADOS
Os derivados seguem com preços firmes no mercado gaúcho. A Corretora Mercado indica aquecimento nos derivados do arroz, com preço de R$ 32,00 para o canjicão frente aos R$ 30,00 da outra semana, e quirera com ganho de R$ 0,50 por saca, em R$ 22,50. A tonelada do farelo de arroz registrou alta de R$ 20,00, alcançando R$ 290,00.
As chuvas do final de semana atrapalharam o preparo do solo para plantio no Rio Grande do Sul. Para a próxima semana, os analistas acreditam que o panorama não deve mudar muito e apontam leve tendência de baixa nas cotações, mas mercado bastante frio, com baixíssimo volume de negócios, apesar de ser uma semana onde tradicionalmente os supermercadistas estão se abastecendo.


