Comercialização garantida, safra em alta, preços estáveis
Apesar do momento de certa estabilidade no mercado, a aproximação da safra começa a preocupar.
Um olhar pontual sobre o cenário da orizicultura brasileira esta semana, o traduziria como estável e de boas notícias, em sua maioria. O governo federal anunciou R$ 1 bilhão em recursos para garantia de preços e comercialização à safra 2007/08, o Sul do pais está prevendo colher uma excelente safra, os leilões da Conab não derrubaram mercado, que até apresentou levíssima elevação nos preços, foi lançada a 18ª Abertura Oficial da Colheita, em Cachoeirinha (RS), os produtores avançaram nas negociações com o governo com relação à safra e às dívidas rurais. São boas notícias, mas para alguns analistas parecem dias de sol antes da tormenta.
Analistas e agentes de mercado acreditam que o leilão do próxima quinta-feira (31/1) irá balizar e determinar um novo cenário para o arroz no Rio Grande do Sul, influenciando diretamente em Santa Catarina e outras regiões. O início da safra, a partir dos primeiros dias de fevereiro em algumas regiões e a aceleração da colheita em algumas localidades de Santa Catarina, são os fatores de preocupação. Há consenso entre os corretores que o leilão da próxima quinta-feira terá melhor desempenho de vendas que o realizado na semana que encerra, que vendeu 30,4% da oferta. A baixa qualidade da maior parte do arroz ofertado foi a causa do desempenho.
A venda de mais 79 mil toneladas na próxima semana tem dois diferenciais: o primeiro é a qualidade do arroz ofertado e, o segundo, é a participação de depositários. Mesmo com o preço inicial de R$ 25,50, muitos depositários deverão comprar arroz partindo do princípio que já conhecem o produto e não pagarão frete. No mercado gaúcho, a média de preços está entre R$ 24,00 e R$ 25,00 para a saca de 50 quilos do 58×10. Mesmo 50 centavos mais caro, a compra ainda compensa nestes casos pela ausência do frete.
A garantia de venda do arroz na safra por pelo menos R$ 22,00, com os mecanismos de comercialização, por outro lado, devem alongar o equilíbrio do mercado, segundo dirigentes arrozeiros que participaram na última quinta-feira do lançamento da 18ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, na Estação Experimental do Irga, em Cachoeirinha (RS). O evento acontecerá de 28 de fevereiro a três de março, mobilizando perto de 30 mil produtores e integrantes da cadeia produtiva. A má notícia da semana foi o aumento do impacto do ICMS sobre o arroz, no Rio Grande do Sul, um fator a mais de perda de competitividade para a indústria gaúcha.
Diante deste cenário, os dados do Cepea/Esalq e BM&F, indicaram a cotação média da saca de 50 quilos do arroz em casca no território gaúcho, com 58% de inteiros, entregue na indústria (frete incluso), em R$ 25,68 nesta quinta-feira, com pequena variação sobre os R$ 25,60 da semana passada. No mês, o produto acumula variação de 8,7%, o que é significativo. O indicador demonstra que houve uma manutenção na evolução dos preços, em torno de oito centavos por semana para a saca. O produto se mantém 60 centavos abaixo do custo estimado de produção para o arroz irrigado gaúcho.
Na maioria das praças, o preço referencial ao produtor gira entre R$ 24,00 e R$ 25,00, exceto no Litoral Norte e para as variedades nobres em outras regiões. Em Capivari do Sul, o arroz de 63% de inteiros, das variedades nobres, é comercializado por até R$ 30,00 a saca, mas com baixo volume de negócios. Na fronteira, preços muito similares para produto mais de 60% de inteiros destas variedades. Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Alegrete, Santa Maria, Guaíba e Tapes mantém preços entre R$ 24,00 e R$ 24,50 ao produtor, com a oferta crescente. Uruguaiana, Pelotas, Camaquã, Itaqui e São Borja, negociam na faixa de até R$ 25,75 o arroz colocado na indústria (frete incluso), com preferência para as variedades nobres.
OUTROS ESTADOS
O mercado catarinense manteve negócios girando entre R$ 22,50 e R$ 24,00, com variação nas regiões. Neste estado, já se prevê que os preços comecem a perder força por conta do aumento das proporções da colheita e a pressão de oferta.
No Mato Grosso a saca de 60 quilos do arroz longo fino manteve a estabilidade entre R$ 28,00 e R$ 32,00 dependendo da praça. Em Sinop e Sorriso a cotação é mantida, em média, a R$ 30,00, enquanto em Cuiabá e Várzea Grande asseguram valoração de até R$ 34,00.
INDÚSTRIA
As indústrias do Sul do país mantiveram a posição de cautela esta semana, pouco se interessando pelo leilão da Conab, em razão da qualidade do produto ofertado e da esfriada nas vendas para o varejo. O varejo mostra-se bastante recuado, esperando uma baixa nos preços a partir do ingresso do produto da nova safra. Como a colheita do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso e outros estados está um pouco atrasada, a pressão está começando cedo demais, segundo alguns agentes de mercado.
Na última semana a média dos preços do fardo do arroz beneficiado manteve-se na faixa de R$ 36,00 a R$ 37,00. O fardo de 30 quilos do arroz tipo 1 chega a São Paulo entre R$ 30,00 e R$ 48,00 dependendo da marca e das características do produto, preço FOB.
A saca de 60 quilos do arroz beneficiado é cotada a R$ 53,00 segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre, chegando entre R$ 69,00 e R$ 73,00 em São Paulo. A mesma corretora cota a saca de arroz em casca de 50 quilos (padrão) em R$ 24,50, o canjicão a R$ 34,00 e a quirera a R$ 27,00 a saca. A tonelada do farelo de arroz fica em R$ 320,00.


