Conab ainda tenta amenizar alta dos preços do arroz

Preços em elevação forçam à Companhia a fazer leilões semanais, mas não há garantia de que surtam o efeito desejado. Analistas alertam que esta estratégia pode baixar muito os estoques no pico de entressafra.

O ingrediente que faltava para a alta dos preços do arroz no Rio Grande do Sul foi consolidado no cenário do mercado nacional a partir da confirmação da Conab de que realizará leilões semanais como forma de tentar frear a evolução dos valores, que voltaram a bater recordes esta semana. Serão ofertadas na próxima quarta-feira mais 50.067 mil toneladas de estoques públicos, das quais 5,9 mil de depositadas em Santa Catarina.

A oferta ocorre sem acordo com o setor produtivo. O governo federal que preços próximos a R$ 32,00 a saca de 50 quilos, mas as ferramentas que vem utilizando não estão surtindo efeito. Não está descartada, por parte do governo, a realização de leilões de arroz com maior volume ofertado.

O ingrediente para o cenário de alta, porém, é a expectativa do mercado para o enxugamento dos estoques públicos e a dificuldade do governo recompô-los para 2009, uma vez que o mercado acena com preços muito superiores ao mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A tendência para a próxima semana, segundo os principais analistas, é de que os preços sigam aumentando e cheguem à casa dos R$ 36,00.

Entre os fatores incidentes nesta tendência destacam-se: a conjuntura internacional, o baixo volume de importações, a boa movimentação de vendas externas – o dólar mais alto é favorável – e a expectativa de baixo estoque governamental no pico da entressafra (entre 300 e 500 mil toneladas) e pequena disponibilidade de matéria prima nas indústrias. A expectativa de que os estoques públicos serão muito pequenos em 2009, indicando preços mais altos no ano, também incentiva os produtores a segurarem um pouco mais o produto. A Federarroz, no entanto, alerta para que seja mantido um fluxo “equilibrado” de comercialização.

INDICATIVOS

Esta semana, de segunda a quinta-feira, os preços evoluiram para a casa dos R$ 35,87, segundo indicador do Cepea/Esalq/USP e BM&F. Este é o valor da média de comercialização no Rio Grande do Sul, registrado na quinta-feira para a saca de 50 quilos de arroz (58 x 10), colocada na indústria gaúcha (frete incluso). É o preço recorde de 2008 no Cepea, embora no mercado livre já tenham ocorrido negócios por até R$ 37,00. Com a oscilação do dólar, o produto apresenta relativa baixa e é cotado em US$ 17,75, depois de ter sido cotado em US$ 19,50 há uma semana.

Com este valor, a alta dos preços no primeiro dia de outubro já é de 0,75%, não considerando o mercado desta sexta-feira. Em setembro, a alta de preços acumulou 6,2%, encerrando o mês com o preço de R$ 35,60.

MERCADO

Mesmo com a “queima de estoques” da Conab, como alguns analistas estão denominando a realização dos leilões semanais, a alta se manteve. No mercado livre, segundo as principais corretoras gaúchas, a média de preços está entre R$ 34,25 e R$ 35,50 no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que concentram 70% da produção brasileira. E as informações de mercado são de que os estoques públicos em Santa Catarina estão finalizando. É aguardada uma convocação da Câmara Setorial para discutir o assunto.

No preço ao produtor, segundo indicativo das corretoras gaúchas, predominou ligeira alta na semana, com variação entre R$ 34,00 e R$ 35,00 na maioria das praças como Cachoeira do Sul, Guaíba, Alegrete, Dom Pedrito. Em Uruguaiana, São Borja, Itaqui e Pelotas o produto chega na indústria entre R$ 35,00 e R$ 36,00, predominantemente. Preços melhores para o produto de qualidade superior do Litoral Norte chegando a R$ 44,00 para as variedades nobres.

ESTADOS

Em Santa Catarina, com oferta bastante ajustada e redução na participação nos leilões, os preços médios se mantêm espelhados no Rio Grande do Sul, com média de R$ 34,00 no Sul do estado. A expectativa é de que a área seja repetida para a próxima safra. Esta semana foi iniciado o plantio e a expectativa é de que a produtividade não sofra muitas alterações (principalmente a maior) pela alta dos insumos. Segundo lideranças do setor, o investimento em insumos será menor.

No Mato Grosso a comercialização apresentou-se mais ofertada esta semana, com o arroz Cirad, de melhor qualidade nesta safra, movimentando os negócios na faixa de até R$ 41,00 a saca de 60 quilos posta em Cuiabá. Esta semana foi confirmada uma grande negociação de arroz nestes padrões para uma indústria da Grande Cuiabá, mas com preços um pouco menores.

O arroz da variedade Primavera, saca de 60 quilos e acima de 55% de inteiros, tem oferta escassa, mas chega a ser cotado a R$ 45,00 posto em Cuiabá. A expectativa dos produtores é de uma melhora da qualidade para a próxima safra, embora a área não deva sofrer grande alteração, em razão das novas variedades, como a Cambará, que alcança médias acima de 4 mil quilos por hectare e um rendimento de inteiros acima de 58%. O produto é conhecido pela característica de agulhinha e pela boa massa de grãos e rendimento industrial. Segundo os produtores, trata-se de uma variedade que não acama tão fácil quanto outras e que tem bom rendimento produtivo em área velha.

DERIVADOS

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preço médio de R$ 36,00 para a saca do arroz em casca com 58% de grãos inteiros, no Rio Grande do Sul. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado é cotada a R$ 71,00. Entre os derivados, o farelo de arroz caiu R$ 10,00 na cotação e atingiu preço médio de R$ 330,00 a tonelada, enquanto o canjicão manteve os R$ 42,00 e a quirera evoluiu para a média de R$ 32,00 a saca.

EXPECTATIVA

A expectativa do mercado é de que a alta dos preços prossiga, apesar da nova oferta de arroz da Conab. O leilão da próxima quarta-feira, que deve manter médias bastante próximas da mais recente oferta de estoques públicos (acima de R$ 34,00) será um balizador de curto prazo. O setor também está de olho nas decisões que poderão ser tomadas pelo governo federal, em reunião com a cadeia produtiva, na próxima semana.

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