Conab diz que o Cirad 147 não atendeu as exigências
Superintendente considera parecer do Ministério Público o reconhecimento à seriedade e transparência das ações da Conab no MT. Para a indústria, o Cirad 141 não é o que a dona de casa quer.
O superintendente regional da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), Ovídio Miranda, disse que o parecer do Ministério Público é um reconhecimento da seriedade e da transparência do trabalho que vem sendo desenvolvido pela companhia no Estado do Mato Grosso.
Sobre o questionamento dos produtores na Justiça, ele informou que técnicos do órgão fizeram levantamento prévio de qualidade para a variedade Cirad 141 e constataram que boa parte da produção não se enquadrava como longo fino.
– A Conab não tem competência para fazer a classificação de variedades. Apenas verificamos a classe, pois é um direito do governo saber o que está comprando – afirmou Ovídio.
Segundo ele, para ser classificado como longo fino o arroz precisa atender às exigências da portaria 269/88, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que estabelece os critérios de classificação de produtos de origem vegetal.
No caso do arroz longo fino, em um universo de amostra fiscalizado, pelo menos 80% dos grãos têm que ter a espessura máxima de 1,90 milímetro (mm). Os técnicos, entretanto, identificaram dimensões de 1,91 a 1,94 mm em uma quantidade superior a 80%.
Boa parte da variedade fiscalizada, portanto, não atendeu às exigências da legislação para ser classificada como longo fino e foi classificado apenas como longo.
– Infelizmente, a variedade deixou de atender às exigências e a Conab nada pode fazer – lamenta Ovídio.
INDÚSTRIA
Se dependesse da indústria, o arroz Cirad 141 que deixou de ser comprado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) como longo fino já teria saído do mercado a partir deste ano. O presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Arroz de Mato Grosso, Marco Antônio Lorga, declarou recentemente que a indústria não irá apoiar a continuidade da variedade porque não é o que a dona de casa quer.
Segundo ele, o posicionamento da indústria em relação ao Cirad é bem claro.
– O arroz não se enquadra à classe longo fino e é rejeitado pelos consumidores exigentes, que não gostam de produto sem qualidade e que gruda na panela – finaliza.


