Conab mantém classificação do Cirad 141 como grão longo
Produto perdeu as características de longo fino diante da legislação vigente desde 1988.
Durante mais de uma hora de reunião com o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Jacinto Ferreira, no final da tarde da última segunda-feira, os produtores de arroz de Mato Grosso tentaram, em vão, conseguir rever a classificação do arroz Cirad, no Estado. Segundo eles, desde que a variedade deixou de ser considerada como tipo longo fino pelos técnicos da Conab, o setor acumula um prejuízo de R$ 500 milhões, somente na região de Sinop (503 quilômetros ao Norte de Cuiabá), maior produtor estadual da cultura.
Jacinto Ferreira reafirmou aos rizicultores mato-grossenses que para a companhia não existe diferenciação entre variedades – Primavera ou Cirad e sim quanto ao tipo. E, a única alternativa viável para amenizar a situação dos produtores foi o lançamento do Contrato de Opção Privada, que depende de um consenso entre produtores e indústrias. Nesta modalidade, a Conab paga um prêmio para garantir o preço mínimo aos rizicultores que neste momento estão sendo obrigados a vender o produto por um valor que não cobre o custo de produção.
O Contrato de Opção deverá ser lançado dentro de 15 dias. Como o mecanismo será regionalizado, vai vigorar em Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ainda não há um volume de contratos definidos.
“Estamos negociando com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o lançamento dos Contratos porque neste tipo de aquisição o Governo tem condições de fixar um preço de referência e leiloar um prêmio que diminui o custo para a indústria e, consequentemente, pode aumentar o preço para o produtor”, explica Ferreira.
Este mecanismo, na avaliação da Companhia, dependendo do leilão de prêmio, pode fazer com que o preço fique bem próximo do preço mínimo do longo fino, que está em torno de R$ 18 e R$ 20.
Para o vice-presidente da Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato) Rui Prado, o contrato de opção privada não basta. “É preciso haver medidas mais eficazes, como a compra de Aquisição do Governo Federal (AGF). Foi falado que existe recurso, mas ele não chega na mão do produtor. Outro problema é a armazenagem, principalmente na região Norte do Estado. Precisamos de armazéns credenciados e isto não existe. O credenciamento tem que ser emergencial ou a compra direta do produtor sem burocracia. A situação é crítica e não podemos esperar mais. Esta é mais uma reivindicação do Tratoraço”, assegura Prado.


