Contrato de opção será de R$ 24,00 a saca
O argumento do governo para não aceitar os R$ 25,00 reivindicasdos foi de que a área econômica via risco de impacto na inflação.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, anunciou hoje o o lançamento de leilões de contratos de opção pública e privada para 150 mil toneladas de arroz em casca colhido no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Na próxima quarta-feira (13) a Companhia Nacional de Abastecimento fará um leilão de 75 mil toneladas (2.778 contratos) de opção pública, sendo 62 mil toneladas (2.296 contratos) para o Rio Grande do Sul e 13 mil t (482 contratos) para Santa Catarina. O contrato de opção pública dá ao produtor o direito, mas não a obrigação, de vender arroz ao governo a um preço pré-estabelecido. Os contratos de opção pública e privada terão vencimento em 15 de setembro com preço de exercício de R$ 24 a saca de 50 quilos.
O secretário também anunciou o leilão de risco da opção privada. No dia 13 também serão ofertadas 75 mil toneladas, sendo 62 mil t para o Rio Grande do Sul e 13 mil t para Santa Catarina. O prêmio de risco máximo que o governo pagará é de R$ 3 por saca de 50 quilos. Pelo mecanismo de opção privada os arrematantes do prêmio, ou seja comerciantes e indústria de beneficiamento de arroz, se obrigam a lançar contratos de opção de venda para os produtores ou cooperativas. Os compradores do prêmio se comprometerão a lançar um contrato de opção com preço de exercício de R$ 24 a saca com vencimento também em setembro.
Wedekin afirmou que o governo decidiu lançar contratos de opção para o arroz com preço de exercício de R$ 24 a saca porque “houve sensibilidade política da importância da cadeia produtiva do arroz”. Até a semana passada, quando os produtores realizaram um tratoraço em Brasília, o governo aceitava lançar as opções com preço de exercício de R$ 23/saca e os arrozeiros pediam R$ 25/saca.
O argumento do governo para não aceitar o valor era de que a área econômica via risco de impacto na inflação. De acordo com o secretário, a avaliação do governo mudou nesta semana. “Num primeiro momento não haverá impacto inflacionário. A política do governo é de estabilizar preço e evitar uma alta acentuada num momento posterior, como resultado da redução da área plantada na próxima safra”, disse o secretário após insistentes questionamentos dos jornalistas.
Wedekin lembrou que o preço de exercício da opção é muito superior ao praticado no Sul do País, onde os preços oscilam entre R$ 19 e R$ 20 por saca.
O secretário de Política Agrícola contou que a venda de contratos de opção público e privado para o arroz num total de 150 mil toneladas vai custar ao governo R$ 45 milhões. Esse montante sairá dos R$ 400 milhões liberados recentemente pelo governo para apoiar a comercialização de arroz, algodão e farinha de mandioca. Com o algodão já foram gastos R$ 51 milhões.
De acordo com o secretário, após o primeiro leilão das opções de arroz, dia 13, o governo fará uma avaliação de mercado e definirá preços e quantidades para os leilões seguintes. Wedekin disse que o tratoraço da semana passada ajudou na negociação com a área econômica do governo. “As manifestações foram importantes para clarear as negociações”, disse.
Em relação aos demais pedidos do setor agrícola, o secretário disse que o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, está “empenhado”. Os produtores pedem a rolagem das dívidas de custeio da safra 2004/05, que vencem a partir deste mês até novembro. Eles também querem a renegociação de dívidas antigas, principalmente do Pesa e da securitização.


