Controle da bicheira-da-raiz requer atenção
Com alta infestação no Rio Grande do Sul, praga pode causar perda de até 50% da lavoura de arroz.Tratamento de semente protege a raiz .
O orizicultor que não controlar a incidência da bicheira da raiz poderá perder até 50% da sua lavoura. A informação é do engenheiro agrônomo do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) Alexandre Lima. A praga ainda é um fantasma que assola a maioria das plantações de arroz do Estado, principalmente as localizadas nas regiões mais úmidas, encostas de mato e regiões sujas. A menor incidência ocorre na Fronteira-Oeste, onde estão as lavouras de coxilha.
O dano é medido pelo número de larvas localizadas na raiz da planta. De acordo com o agrônomo, cinco unidades representam uma redução de, aproximadamente, 12% no rendimento da plantação. ‘Se o produtor apenas arrancar a raiz da terra e contar o número de invasoras, não encontrará mais de três.’
O pesquisador aconselha o agricultor a utilizar um tubo plástico de 100ml e um balde para verificar a incidência.
– Ele retira a terra e a raiz de baixo da planta e coloca dentro de um balde com água – orienta.
A possibilidade é de encontrar de 20 a 50 larvas por planta se a área estiver infectada.
Para conter o surgimento da bicheira da raiz na lavoura, o produtor pode optar por contê-la antes mesmo da sua manifestação. De acordo com Lima, a melhor forma de erradicar a doença é banhando as sementes de arroz na solução de fipronil antes da semeadura – 100ml de água é o suficiente para 100kg de grão.
A técnica é utilizada na Granja Vargas, localizada em Palmares do Sul, através do Projeto 10, ligado ao Arroz RS. O programa prevê a utilização de 80 a 100kg de sementes por hectare.
– O que o produtor investir antes da semeadura, recuperará na colheita – ressalta Lima.
No local, o produtor Elvino Dutra dá o exemplo, com previsão de colher 40 sacas por ha usando grãos tratados com fipronil. Após plantar 114kg de sementes por ha, tem 327 plantas geradas por metro quadrado.
A outra maneira de combater a praga seria a aplicação de inseticidas à base, por exemplo, de carbofuran, já durante o desenvolvimento das plantas. Misturado com uréia, o produto elimina a bicheira do arroz, mas pode causar danos à saúde, poluir mananciais e matar outros insetos.
– Deve ser aplicado de três a seis quilos por hectare – aconselha Lima. A bicheira se reproduz em três dias e é verificada pela presença de larvas na raiz da planta do arroz. Sob a forma adulta, o gorgulho aquático hiberna na sujeira, dentro da própria lavoura.
– Quando inicia a irrigação, se alimenta raspando a folha de arroz – explica o especialista.


