Controle da Camil é de novo 100% brasileiro
O grupo Arfei – fundador da empresa – acaba de adquirir os 50% de participação societária que pertenciam ao fundo americano de private equity TCW (Trust Company of the West).
A Camil Alimentos, líder nos mercados de arroz e feijão do país, volta a ser controlada exclusivamente por brasileiros. ).
Desde 1998, a Camil era controlada pelos grupos Arfei e TCW. Cada um detinha 50% de participação. Uma fonte da empresa que preferiu não se identificar disse ao Valor que o negócio foi discutido pelos dois grupos durante dez meses. O acordo foi concluído há poucos dias, após a liberação de financiamentos bancários para o grupo Arfei concluir a aquisição.
Ainda segundo a fonte, o grupo TCW demonstrou, desde o início da sociedade, que seu interesse era participar dos negócios da empresa por cerca de seis anos e diversificar investimentos em outros grupos futuramente.
A Camil foi criada por um grupo de produtores de Itaqui (RS) em 1963, que produziam e vendiam arroz localmente. Na década de 1970 a cooperativa se associou à empresa Arfei – comandada por Jairo Quartiero, atual presidente da Camil – para comercializar produtos no Sudeste. Em 1991, os produtores e o grupo Arfei formaram a Camil Alimentos.
Sete anos depois, em função de uma forte crise, a cooperativa (formada por 330 produtores) abriu mão da sociedade e os seus 50% de participação foram vendidos ao TCW. Para concluir a compra, o grupo Arfei realizou investimento de longo prazo junto ao Bradesco no valor de R$ 95 milhões.
A previsão da empresa para este ano é comercializar no país 660 mil toneladas de arroz e 48,6 mil toneladas de feijão. Em receita, a empresa espera para o ano um crescimento de 6%, passando de R$ 660 milhões para R$ 700 milhões.
Com um portfólio de mais de 50 produtos, a Camil aposta em marcas regionais para ampliar sua atuação no mercado. Entre as marcas estão Camil, POP e Tche. Em 2001, adquiriu a filial da uruguaia Saman, em Recife (PE), que atuava com marcas locais. Em 2002, comprou as marcas Pai João e Príncipe, da Helmuth Tesmann, de Camaquã (RS).
A empresa exporta pequenos volumes para 11 países. A Camil opera com seis unidades industriais, em Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul. A empresa tem ainda uma usina termelétrica em Itaqui (RS), que gera 4,2 megawatts-hora a partir da casca de arroz.


