Coriscal dá última cartada hoje

Cooperativas dependem de empréstimos ou doações para evitar o fechamento.

A Cooperativa Agrícola Cachoeirense Ltda (Coriscal) apresentará hoje aos seus associados os planos para salvar a cooperativa do fechamento. A última cartada é buscar empréstimo junto ao Banco do Brasil para os cerca de 120 produtores que estão devendo pelo menos R$ 5 milhões para a cooperativa.

A assembléia extraordinária da Coriscal começará às 16h, na sede da associação dos funcionários. Nos últimos dias, a diretoria da Coriscal buscou todas as alternativas possíveis para salvar a entidade. A situação da Cooperativa Tritícola de Cachoeira do Sul (Cotricasul) não é diferente e sua assembléia extraordinária será na sexta-feira.

Ontem, em reunião com a superintendência do Banco do Brasil, ficou definido que as duas cooperativas poderão remeter ao banco a lista dos seus inadimplentes, buscando para eles um novo financiamento.

– O arroz que está faltando na Coriscal está nas mãos dos próprios produtores. Temos a receber dos associados o mesmo que temos a pagar – explica Mourales.

A Coriscal enfrentou nos últimos dias uma enxurrada de ações judiciais de produtores que não estão devendo para a cooperativa e querem retirar da entidade o arroz que lá depositaram. A medida visa garantir o patrimônio, já que os inadimplentes não estão em condições de pagar a dívida.

CRISE – Para entender o problema das cooperativas é preciso ter bem claro o entendimento de que a crise no agronegócio vem se agravando nos últimos três anos. Sem valorização no mercado, os produtores vendem o arroz com preços inferiores ao custo de produção. O prejuízo é como uma bola de neve que acaba estourando nos agentes financiadores. As cooperativas, assim como os bancos, emprestam para seus associados dinheiro para que eles plantem e esperam para receber com a produção. Como o mercado não reage, a esperança de pagar as contas no ano seguinte acaba frustrada.

O problema também atinge os bancos, só que estes praticam elevadas taxas de juros sobre outras operações, assimilando o prejuízo. Já as cooperativas, que não têm outra fonte de renda, ficam reféns dos próprios associados inadimplentes.

IMPORTANTE

O presidente da Cotricasul, Nelson Schramm, declarou ontem que existem soluções para as cooperativas, mas isso certamente vai custar caro.

– A cada reparcelamento de dívidas, fica mais difícil pagar a conta. A agricultura está se tornando uma atividade quase inviável. O futuro é muito preocupante. Sem ter novos financiamentos, os produtores não terão o que fazer – argumentou Schramm.

O presidente aproveitou para dizer que a Cotricasul não está sofrendo intervenção e, apesar de não revelar números, garantiu que existe muito arroz dos armazéns da cooperativa.

ATENÇÃO

Na Coriscal, os 360 mil sacos de arroz que pertencem à Conab estão em um armazém lacrado. A contagem e a separação desse produto foram uma medida solicitada pela cooperativa, que teme as decisões da Justiça para os pedidos de retirada do arroz.

Na sexta passada, o presidente José Derli Mourales também pediu na Justiça a preservação dos 150 mil sacos de arroz que pertence ao BB e estão depositados como garantia para liberação de empréstimos para produtores. Além do arroz da Conab e do BB, a Coriscal deveria ter em seus depósitos o produto dos associados. O problema é que esses grãos foram comercializados e o dinheiro usado em financiamentos para inadimplentes. A diretoria de Mourales assumiu a cooperativa há dois meses e se deparou com esta dificuldade.

UMA PERGUNTA
O BB pode ajudar?

As cooperativas deverão decidir em suas assembléias o que será feito para superar a crise. O Banco do Brasil poderá financiar os produtores que devem para as cooperativas com a linha de crédito do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que tem R$ 5 bilhões disponível, mas muitas restrições. Nem todos poderão aproveitar esse benefício. O juro dessa operação é de 8,75% ao ano, custo bem menor do que manter a dívida nas cooperativas, que cobram pelo menos 12% ao ano.

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