Cotações do arroz caem abaixo do custo

Confirmando uma tendência anunciada no início da semana pelo site Planeta Arroz, os preços do arroz despencaram mais de R$ 1,00 por saco de 50 quilos nos últimos dias, alcançando no Rio Grande do Sul cotaçãode R$ 29,00. São 69 centavos abaixo do custo de produção na safra passada. Mato Grosso manteve preços.

O arroz em casca gaúcho está sendo cotado abaixo do custo de produção da última safra desde a última terça-feira. O custo para produzir um saco de 50 quilos na safra passada foi de R$ 29,69, segundo o Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga) e a cotação média no Rio Grande do Sul, esta semana, está em R$ 29,50.

A maior parte da indústria gaúcha está fora do mercado e adquirindo produto do Mercosul na faixa de R$ 25,00 a R$ 26,00 (equivalência 50 quilos) para arroz esbramado do Uruguai com até 62% de inteiros. Em Cachoeira do Sul, as cotações – dependendo da indústria – variam de R$ 29,00 a R$ 29,58 pelo saco de 50 quilos com 58% de inteiros, o chamado arroz padrão para tipo 1. Na Fronteira-Oeste e Zona Sul há confirmação de negócios por até R$ 28,00 o saco.

O excesso de oferta e a alta competitividade do produto do Mercosul, principalmente esbramado uruguaio, é responsável pela queda de preços. Em Santa Catarina, há cotações de arroz padrão abaixo de R$ 27,00.

No Mato Grosso do Sul, o produto anda na casa de R$ 31,00 para o arroz primavera (55% de inteiros) em Sinop e manteve R$ 32,00 para Sorriso e Cuiabá. O arroz Cirad, que precisa envelhecer para obter qualidade de cocção (cozimento), está cotado entre R$ 27,00 e R$ 28,00. Ontem, a indústria gaúcha recebeu oferta de produto esbramado do Uruguai na faixa de R$ 25,50 (equivalência 50 quilos).

O mercado para arroz beneficiado gaúcho manteve-se bastante fraco, forçando também uma pequena queda nos preços do saco de 60 quilos, comercializados na faixa de R$ 74,00 a R$ 75,00 posto em São Paulo (R$ 59,00 FOB). Há fardo de arroz beneficiado tipo 1, de 30 quilos, sendo comercializado em São Paulo na faixa de até R$ 36,00. Arroz gaúcho.

As grandes redes supermercadistas seguem pressionando por redução dos preços da indústria e fazem promoções para forçar o consumo, que segue não demonstrando tendências de aumento.

A expectativa, para a próxima semana, é de que as novidades de acordos entre produtores do Mercosul, a possibilidade de painel de arbitragem do arroz na OMC e também a confirmação da primeira exportação de arroz parboilizado do Brasil para o Chile e Trinidad Tobago tenham algum reflexo para manter ou recuperar parcialmente os preços.

No entanto, o excesso de oferta, a expectativa de nova safra cheia em 2004/2005 no Mercosul e a falta de mecanismos mais eficientes de comercialização, bem como a alta competitividade do Mercosul (principalmente após a isenção de PIS/Cofins para a indústria do Mercosul injetar produto no mercado brasileiro), são fatores que seguem pressionando os preços.

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