Cotações em alta e pouca oferta de venda

As cotações do arroz em casca e beneficiado subiram significativamente no Rio Grande do Sul, mas negócios efetivados mesmo foram poucos.

O aumento da procura por arroz de qualidade no Rio Grande do Sul, principalmente por parte das indústrias do Sudeste, Centro-Oeste e até do Norte/Nordeste do Brasil, foram decisivos para gerar um movimento de alta acima de R$ 1,00 por saco de 50 quilos nas cotações do produto em casca nesta semana.

A quase inexistência de oferta do produto em casca por parte dos arrozeiros, o Plano Safra, o fim da colheita e aproximação do final de estoques de qualidade em muitos estados produtores acabou influenciando também esta tendência nos últimos dias. Somou-se decisivamente a este cenário a entrada da Conab comprando 93 mil toneladas de arroz, via AGF, até do dia 10 de junho e o anúncio de compra de mais 150 mil toneladas até o final do mês, fora mecanismos de PROP e PEP.

A barreira de produtores e o desabastecimento da indústria do Mato Grosso, que não está conseguindo competir com os preços de mercado da indústria gaúcha e catarinense em São Paulo, também afetou o mercado. A redução na taxa de juros e uma oscilação que gerou expectativa de alta do dólar foram coadjuvantes neste processo.

A semana foi de muita especulação, cotações nominais ajustadas e poucos negócios. Todavia, quase a totalidade dos negócios fechados estive acima das cotações nominais do Rio Grande do Sul, que ficaram entre R$ 16,50 e R$ 17,50 em média pelo saco de 50 quilos de arroz com 58% de grãos inteiros (para branco, tipo 1).

Cachoeira do Sul, Alegrete, Itaqui, Uruguaiana e São Sepé trabalham com cotações nominais na faixa de R$ 17,00 ao produtor. Os poucos negócios concretizados, no entanto, andam acima desta faixa, mais próximos dos R$ 18,00. Em Uruguaiana, compradores de fora seguem oferecendo até R$ 18,00 para cargas por ferrovia. São Gabriel tem empresas oferecendo entre R$ 16,50 e R$ 17,00. Neste último caso, apenas para arroz de boa qualidade que já está no armazém da indústria. Negócio confirmado em São Sepé acima de R$ 18,00 para arroz de variedade nobre e com 63% de inteiros em volume pequeno.

Em Pelotas um contrato de compra de 10 mil sacos de arroz para parboilização com nota de cooperativa foi fechado a R$ 17,00, pagamento em sete dias, gerando expectativa no mercado. Trata-se de uma exceção à regra para um mercado que anda na casa dos R$ 16,00 CIF – cotação nominal.

Em Capivari do Sul e Santo Antônio da Patrulha, o mercado das variedades nobres com mais de 63% de inteiros firmou-se na casa de R$ 21,00 com negócios em menores volumes por até R$ 22,00/50kg. São Borja cota as variedades nobres na faixa de R$ 19,50 desde terça-feira e há significativo volume de negócios. Em Itaqui, o BR Irga 409 e o Irga 417 são cotados entre R$ 18,25 e R$ 18,75, dependendo do rendimento.

O baixo volume de oferta e o crescimento da demanda pelo arroz em casca, principalmente promovido por corretores e indústrias do Brasil Central, favorecem a este aquecimento do mercado. Todavia, agentes de mercado estão utilizando para o atual cenário do arroz o exemplo de um doente que está na UTI e lhe é retirado o tubo de oxigênio. Se resistir por mais algum tempo, há tendência de firmar preços e até experimentar uma alta um pouco maior. Se não resistir, o mercado pode até sofrer um revés ainda maior. A torcida é para que o “doente” saia da UTI.

OUTROS LEVANTAMENTOS:

No levantamento semanal do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o preço médio de comercialização fechou em R$ 17,29, alta de 4,78%. Já a análise diária do Centro de Estudos e Pesquisas Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Universidade de São Paulo (USP), apurou, nessa quinta-feira, um valor ainda maior, de R$ 17,74.

BENEFICIADO:

O mercado paulista ainda está demonstrando dificuldades em assimilar as novas tabelas de preços da indústria gaúcha. Empresas que reajustaram o fardo de 30 quilos do tipo 1 e do tipo 2 de R$ 0,75 a R$ 1,00 conseguiram alguns negócios com supermercadistas. As tabelas que foram reajustadas acima de R$ 1,50 até R$ 2,50 – em alguns casos – não confirmaram negócios esta semana. No Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, no entanto, os novos preços foram recebidos de melhor forma. Todavia, ninguém aposta que as ofertas do saco de arroz de cinco quilos entre R$ 4,85 e R$ 4,99 em São Paulo deixem as gôndolas dos supermercados antes do dia 10 de junho. Esse é o prazo final para avaliar de forma mais clara a consolidação desta alta de preços.

A estratégia do atacado e do varejo confirma esta tendência. Há indícios de que estão buscando marcas alternativas ou produto beneficiado para comercializar com marca própria ainda nos patamares antigos de preço. O volume seria para fechar o espaço de 10 a 15 dias e confirmar se esta é uma alta concreta ou apenas mais uma alta artificial no mercado como aconteceu em novembro de 2005. Um importante agente de mercado, em São Paulo, considera que o mercado neste momento “carece de credibilidade”.

Diante deste cenário, será preciso esperar alguns dias para ver se ocorre um movimento artificial de mercado provocado por fatores pontuais e de curtíssimo prazo ou se a alta é um fato concreto consolidando a tendência de maior demanda no Brasil Central e redução dos estoques de arroz de qualidade.

PARIDADE

Enquanto os produtores gaúchos estão mostrando sinais de esperança na recuperação do mercado, já é possível antecipar um patamar máximo para os preços do arroz em casca. Trata-se da paridade do arroz em casca importado do Uruguai. Hoje, o custo de paridade do produto uruguaio no Brasil é de R$ 18,79, (R$ 26,97 o fardo – tipo 1 – em São Paulo) considerando a variação do dólar de ontem (R$ 2,2530 = US$ 1,00).

Ou seja, a menos que o câmbio volte a reagir – o que depende da macroeconomia – o preço de paridade com o Mercosul deverá controlar uma recuperação mais vigorosa nos preços do arroz no mercado interno.

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