Crescem as exportações de arroz do Rio Grande do Sul

Senegal é o maior importador do arroz brasileiro.

Os problemas climáticos que afetaram a qualidade da safra de arroz no Rio Grande do Sul estão estimulando as exportações do grão. Aliado a isso, o preço baixo do produto no mercado interno dá competitividade ao setor, apesar das reclamações quanto ao câmbio desfavorável às vendas externas. A estimativa é de que as exportações passem de 96 mil toneladas (base casca) para 250 mil toneladas (acréscimo de 160% no atual ano comercial).

A estiagem, que durou cerca de quatro meses no Rio Grande do Sul, provocou uma produção muito mais quebradiça. Em média, a safra gaúcha tem 58% de inteiros. Neste ano, ficou em 56% – na composição do produto para o varejo admite-se uma quantidade de grãos quebrados. Na prática, sobrou arroz com baixa qualidade e, com isso, as indústrias buscaram o mercado externo.

– O valor mais baixo do produto deixou o arroz de melhor qualidade mais acessível ao consumidor interno – acrescentou José Rubens Arantes, diretor de suprimentos da Camil.

A saca de arroz (50 quilos) é comercializada a R$ 19 no Rio Grande do Sul para um custo de produção estimado em R$ 29 – queda de 23% desde o início da colheita, em março. A exportação é considerada uma saída para a crise do setor, que enfrenta uma produção acima do consumo. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil colheu 13,1 milhões de toneladas para um consumo de 12,8 milhões de toneladas – e um estoque de 1,5 milhões de toneladas.

– Mas o volume exportado ainda é pequeno diante do estoque de passagem – diz Aldo Lobo, analista da Safras e Mercado.

O principal comprador do produto brasileiro é o Senegal. Das 120,7 mil toneladas (base casca) embarcadas de janeiro a maio, 103 mil toneladas foram encaminhadas para aquele país, segundo a Safras & Mercado.

– Além dos preços, há um esforço exportador do setor – diz César Gazzaneo, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Arroz do Rio Grande do Sul. Opinião semelhante tem Arantes. Por isso, a Camil pretende passar de um volume de 20 mil toneladas para 50 mil toneladas (base casca) embarcadas para o exterior neste ano.

Para grãos mais elaborados, André Schaun, do departamento de exportações da Joaquim Oliveira S.A. Participações (Josapar), diz que o dólar deixa o produto menos competitivo.

– Com um câmbio 15% superior seria mais fácil de negociar – diz.

No ano passado, a empresa exportou 7 mil toneladas (menos de 1% do total negociado no País). Até maio, 65% deste volume foi embarcado e, diante deste resultado, a Josapar acredita em exportações até 15% superiores a de 2004. Neste ano, a empresa conseguiu exportar para um novo mercado, considerado mais rigoroso, o Japão. O volume é pequeno, mas o aval daquele país é importante . A exportação, de 40,2 toneladas, foi feita pela Columbia Trading.

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