Crise no mercado de arroz atinge beneficiadoras em Sinop
Em pleno início de safra, empresas de Sinop começam a pensar em demitir pessoal.
As empresas beneficiadoras de arroz de Sinop já estão sentindo os reflexos da falta de matéria-prima. Devido ao baixo preço de mercado, os produtores estão retendo o produto, esperando uma possível alta.
– Nós estamos pagando de R$14,00 a R$15,00 pela saca da variedade Primavera, mas o produtor quer R$18,00 – informou o gerente comercial de uma empresa às margens da BR-163, Vilson José Schneider.
Na empresa que ele gerencia, a produção está parada há mais de uma semana.
– Ainda não chegamos a demitir, estamos segurando as pontas. Nossos funcionários estão fazendo limpeza, outras atividades. Nosso problema ainda é agravado pela questão da logística. O frete também aumentou e nós só vendemos para outros estados – justificou.
Segundo ele, se a situação não melhorar nesta semana, terão que rever posições.
– Em seis anos que trabalhamos em Sinop, posso dizer que este mês de janeiro foi o mais crítico. Nós produzíamos anteriormente uma média de 90 mil fardos por mês e agora, em janeiro, devemos fechar com 30 fardos (900 kg) – explicou Schneider.
Avibar Ribeiro Costa, gerente de compras de outra grande indústria em Sinop, disse que a situação deles não é tão crítica, por que estavam com um bom estoque.
– Os produtores querem melhores preços. Podemos esperar uma situação de quebra bem grande no mercado do arroz – afirmou.
Márcio Paiva, gerente de outra empresa em Sinop, disse que ainda não reduziu a produção, mas a situação está caminhando para isso.
– Já demitimos um funcionário na semana passada e nesta semana, deve sair mais um. Se pagamos o que os produtores querem, não conseguimos repassar para o mercado – disse ele.
Em 2004, as beneficiadoras compravam o saco de 60kg do arroz agulhinha pela média de R$ 33,00 do produtor e a vendiam o fardo por cerca de R$ 40,00. Neste ano, o produto em casca está sendo comprado por cerca de R$ 14,00 e vendido a R$ 20,00.


