Cultivares de arroz têm emissões semelhantes de metano em cultivo irrigado

 Cultivares de arroz têm emissões semelhantes de metano em cultivo irrigado

(Por Planeta Arroz, com Embrapa) Um estudo realizado em área de várzea no interior de São Paulo indica que cultivares de arroz com características agronômicas distintas podem apresentar níveis muito semelhantes de emissão de metano quando cultivadas sob irrigação por inundação. A pesquisa foi conduzida em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, e avaliou as variedades IAC 105 e Epagri 106, amplamente utilizadas na região.

As medições, feitas ao longo da safra de 2015, apontaram emissões acumuladas de 118 kg de metano por hectare para a IAC 105 e 109 kg por hectare para a Epagri 106 — diferença considerada estatisticamente não significativa. O resultado contrasta com parte da literatura internacional, que associa características como altura da planta, biomassa e número de perfilhos a variações nas emissões desse gás de efeito estufa.

O arroz irrigado é uma das principais fontes antrópicas globais de metano, cujo potencial de aquecimento é cerca de 28 vezes maior que o do dióxido de carbono. No Brasil, mais de 80% da produção ocorre em áreas alagadas, o que reforça a relevância de estudos voltados à relação entre manejo agrícola, escolha de cultivares e impacto climático.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Magda Lima, o experimento avaliou emissões sazonais em lavouras conduzidas em sistema pré-germinado, com lâmina contínua de água. Embora a IAC 105 tenha ciclo intermediário e a Epagri 106 ciclo mais curto, essas diferenças não se refletiram em variações relevantes nas emissões de metano.

Ao longo do ciclo da cultura, as emissões aumentaram com o desenvolvimento das plantas, atingindo pico na fase de floração. Esse comportamento é típico de sistemas de arroz irrigado e está relacionado à maior atividade microbiana no solo alagado e à liberação de compostos orgânicos pelas raízes.

Para a pesquisadora da Unicamp, Giovana Batista, não foi observada correlação entre características agronômicas — como altura das plantas, número de perfilhos ou produtividade de grãos — e o volume de metano emitido. “Mesmo parâmetros tradicionalmente associados às emissões não apresentaram influência significativa nas condições avaliadas”, afirma.

Os fatores de emissão estimados ficaram abaixo da média adotada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para o Brasil, de 1,62 kg de metano por hectare por dia. O estudo apontou valores de 0,98 kg para a IAC 105 e 0,95 kg para a Epagri 106, possivelmente influenciados pelo plantio tardio e pela baixa precipitação registrada no estado durante a safra.

Outro indicador analisado foi o potencial de aquecimento global ajustado à produtividade, que relaciona emissões e rendimento. Mesmo com produtividade abaixo do potencial das cultivares, o índice foi idêntico para ambas: 1,02 kg de CO₂ equivalente por quilo de arroz produzido.

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de ampliar os estudos com cultivares mais contrastantes e sob diferentes condições de manejo, clima e solo. Os dados, segundo os autores, contribuem para o aprimoramento dos inventários nacionais de emissões de gases de efeito estufa e podem subsidiar políticas públicas e decisões técnicas voltadas à produção de arroz com menor impacto ambiental.

O trabalho contou com a participação de pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, Unicamp, FAJ e Esalq e foi publicado na Revista Contemporânea (vol. 5, nº 11, 2025).

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