Dívida acumulada do setor arrozeiro pode chegar a 3 bi
Segundo estudo da equipe de Política Setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a dívida acumulada nas últimas safras chega a 2,9 bilhões de reais.
A três dias do início da 14° Feira Nacional do Arroz (Fenarroz), em Cachoeira do Sul, os produtores decidiram manter as manifestações. Insatisfeitos com a política agrícola do governo federal e no aguardo de novas medidas de comercialização, eles trancam a passagem de caminhões nas principais rodovias do Estado. Nessa sexta-feira (19), o governador Germano Rigotto fez um apelo as federações para que evitem este tipo de manifestação.
Segundo estudo da equipe de Política Setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a dívida acumulada nas últimas safras chega a 2,9 bilhões de reais. Se toda a produção deste ano fosse comercializada ao preço médio praticado nessa sexta-feira (19) de R$ 16,50, não seria possível pagar a dívida que cresce rapidamente.
Apesar da Constituição Federal garantir o preço mínimo de R$ 22, o levantamento semanal do Irga indica que em todas as regiões produtoras, o valor máximo pago ao arrozeiro não passou de R$ 17. O presidente do Irga Maurício Fischer afirma que os produtores deveriam vender a saca de 50kg pelo preço mínimo para cobrir o desembolso feito na safra passada. Mas Fischer admite que a situação é desesperadora e a venda antecipada é um alento a eles.
Para melhorar o cenário, a renegociação das parcelas de custeio que vencem em junho e julho, com sistemas bancários e fornecedores, é imprescindível.
– Os produtores fizeram sua parte com uma boa safra e não estão sendo recompensados por isso – frisou o presidente.
Com as novas medidas que serão anunciadas pelo Itamaraty na próxima semana o panorama pode mudar. Os analistas do Irga confirmam que a tendência é a reação do mercado a partir do segundo semestre.
– Não haverá excesso de arroz já que a produção de deve ser igual ao consumo – afirmou o consultor Victor Kayser.
Os problemas de comercialização enfrentados neste ano tornam a próxima safra uma incógnita. Os arrozeiros estão descapitalizados e a lavoura tem custos, como manutenção de máquinas e equipamentos.
– Se não forem tomadas medidas e o preço não subir, a próxima safra estará comprometida – alerta Maurício Fischer.


