Embrapa Pelotas é a primeira no ranking 2005

O anúncio oficial foi feito ontem, pelo chefe-geral da unidade, João Carlos Costa Gomes, que apresentou balanço das atividades da empresa, utilizadas para medir o Índice de Desenvolvimento Institucional (IDI) das unidades ao longo de cada ano.

A Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, conquistou o primeiro lugar no ranking 2005 entre as unidades da empresa no país. Trata-se de avaliação anual, que pondera o desempenho de cada uma das 37 unidades, espalhadas por todo o Brasil. .

Gomes atribui o desempenho positivo à aproximação da empresa com a comunidade em que está inserida, com o objetivo de promover o desenvolvimento da região em que atua. “Foi-se o tempo em que a ciência estava restrita aos laboratórios e os cientistas eram vistos como ‘professores pardais’”. Ele destacou que em 2003, quando a atual diretoria assumiu o comando da unidade, ela estava na 24ª colocação, passou para o quinto lugar em 2004 e chegou ao primeiro em 2005.

O chefe-geral destacou o comprometimento dos mais de 350 funcionários e 150 colaboradores para esta conquista. Na apresentação, destacou os macroprogramas da empresa, no total de seis, em que estão inseridas mais de 450 atividades de pesquisas, desenvolvidas com recursos exclusivos do Tesouro Nacional e orçamento no total de R$ 1,22 milhão. Entre eles, destaque aos projetos de agricultura familiar e inclusão social, que possui foco regional e inserido nas atividades da empresa após a mudança de governo.

Gomes mencionou ainda, os recursos captados a partir das ações e parcerias desenvolvidas com outras instituições que rendeu para a unidade, renda extra de R$ 5,2 milhões em 2005, no desenvolvimento de projetos, alocados em oito ministérios diferentes tais como Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social e instituições parceiras (Capes, Fapergs, Sedai, Fapeg, Coredes, prefeituras, cooperativas e empresas).

Parcerias possibilitam o incremento nos projetos
Entre os projetos, três mereceram destaque que são o do Xisto Agrícola, desenvolvido em parceria com a Petrobras e coordenado pelo pesquisador Clênio Pilon. Este projeto ficou em primeiro lugar no sistema de premiação por equipes da Embrapa e considerado como prioritário pela Petrobras, diz Gomes. Destaque ainda, para o projeto dos Quintais Orgânicos de Frutas, parceria com a CGTEE e coordenado pelos pesquisadores Enilton Coutinho e Fernando Costa Gomes, e Novos horizontes para sustentabilidade na cultura do arroz, coordenado pelo pesquisador Algenor Gomes e que tem como parceira a FMC.

Destaque para o xisto agrícola
O projeto Xisto Agrícola teve início em novembro de 2004 e é realizado em parceria com a Petrobras, através da Unidade de Negócio da Industrialização do Xisto, localizada em São Mateus do Sul, no Paraná. No local é feito o processamento do xisto, rocha de origem sedimentar, formada há 250 milhões de anos e rica em compostos orgânicos, principalmente animais e algas marinhas.
A coordenação técnica do projeto é do pesquisador Clenio Pillon.

O objetivo é utilizar os subprodutos da rocha, óleo, água de xisto, enxofre e nafta, na formulação de novos insumos agrícolas, especialmente fertilizantes sólidos e líquidos e fitoprotetores, para uso em sistemas de produção de base agroecológica. Análises químicas constataram a presença na rocha de macro e micronutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas, em quantidades elevadas.

Atualmente, o projeto se encontra na fase de avaliação agronômica dos produtos, nas diferentes culturas, solos e climas. Na primeira fase, foram analisados os riscos e impactos destes nutrientes associados a outras matérias-primas que compõem os fertilizantes.

A avaliação dos produtos (substratos, fertilizantes foliares) nas diferentes culturas é realizada em área experimental de 20 hectares localizada em São Mateus do Sul e outras três, em Pelotas, uma na Estação Terras Baixas, uma na sede e outra na Cascata, que tem trabalhos voltados à agroecologia. A próxima fase prevê o registro e a comercialização desses produtos com a Petrobras e outros parceiros interessados.

Transferência de tecnologia às lavouras de arroz
O projeto Novos horizontes para a sustentabilidade na cultura do arroz, realizado em parceria com a FMC Química do Brasil e coordenado pelo pesquisador Algenor Gomes, busca a transferência de tecnologias aos produtores para a redução do uso de agroquímicos, na intenção de melhorar a rentabilidade e sustentabilidade financeira e ambiental da lavoura. As ações ocorrem através de cursos, que em três anos de programa atingiram em torno de 300 produtores de Uruguaiana, Rosário do Sul, Alegrete, Bagé e Pelotas.

A média de participação por curso é de 50 a 60 pessoas, com exceção de Rosário do Sul, que recebeu 123 participantes. Gomes destaca que nestes cursos são tratados aspectos como manejo de água, herbicida e adubação nitrogenada, procurando reduzir a aplicação de herbicida e as perdas de nitrogênio e aumentar a eficiência do aproveitamento da substância pela planta. Outra tecnologia diz respeito ao manejo integrado de pragas com foco na bicheira da raiz, também com a redução do uso de inseticidas. Através dos manejos são avaliados e abrandados os impactos ambientais.

A transferência de tecnologia se dá ainda a partir de palestras e encontros realizados em conjunto com a parceira. Encontro realizado em 2004, reuniu 450 produtores em Porto Alegre. Os resultados do programa até agora devem ser apresentados no mês de agosto.

Saiba mais sobre a Embrapa Pelotas
O Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado é uma unidade da Embrapa, com larga história de pesquisas para a região de clima temperado brasileira. Desde a metade deste século, pesquisadores das mais diversas áreas geram tecnologias para a Região Sul do país. Desenvolve atividades nas áreas de recursos naturais, meio ambiente, grãos, fruticultura, oleráceas, sistemas de pecuária com ênfase para gado e agricultura de base familiar.

A importância socioeconômica da região de clima temperado é expressa pela elevada contribuição à produção agropecuária nacional. Nesta área, está localizada a metade da produção brasileira de grãos, a quarta parte do que o Brasil produz em carnes, leite e hortaliças, bem como mais de 80% da produção nacional de frutas de clima temperado, além de abrigar um dos maiores parques agroindustriais instalados no país.

Destaca-se, ainda por ser uma das unidades de pesquisa no mundo com domínio tecnológico para as chamadas terras baixas. O seu potencial representa uma das maiores possibilidades futuras de produção de alimentos. Além da sede, na BR 392 em Pelotas, possui como bases físicas a Estação Experimental Terras Baixas, localizada junto ao Campus da Universidade Federal de Pelotas, no Capão do Leão, que desenvolve pesquisas direcionadas à agropecuária das áreas de várzea da região do sul Brasil, e a Estação Experimental Cascata, situada a dez quilômetros da sede, também às margens da BR 392, no quilômetro 78, com enfoque à agroecologia para a agricultura familiar.

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