Encontro discute a crise do arroz
Mais de 250 produtores de arroz de Santa Catarina são esperados hoje para uma reunião com autoridades estaduais e federais no auditório da Coopera, em Forquilhinha.
Os rizicultores vão pedir uma ação mais firme de orga- nismos como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na regulação do mercado de arroz, além do alongamento do prazo de dívidas
contraídas nos últimos anos e soluções para resolver os problemas
causados pelos baixos preços pagos no mercado. Devem participar da reunião o secretário estadual da agricultura, Antônio Ceron, o
representante catarinense na Comissão da Agricultura da Câmara Federal, além de representantes da Conab e do Ministério da Agricultura em Santa Catarina e da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetaesc).
– Esperamos que desse encontro possam sair soluções para os problemas da rizicultura -, afirma Clóvis Darolt, coordenador da área de agricultura da Secretaria Regional de Criciúma.
Preço baixo na entressafra
Em plena entressafra – a safra atual começa a ser colhida apenas no começo do ano que vem – os produtores reclamam da baixa cotação do arroz no mercado, hoje em torno de R$ 21 a saca de 50 quilos. Além de não cobrir os custos de produção, o valor ainda fica abaixo do preço mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura para o produto, que seria de R$ 22.
– Este ano, a saca de 50 quilos de arroz chegou a ser cotada a R$ 24, mas na média de 2007 não chega sequer a R$ 22 -, diz Donato Locietti, engenheiro agrônomo da Epagri em Nova Veneza.
Na reunião de hoje à tarde, ele vai apresentar um levantamento executado pela Epagri sobre os custos de produção no Sul do Estado.
Entre os motivos para os baixos preços praticados no mercado estão a entrada de arroz importado de países como Uruguai e Argentina, onde os custos de produção seriam menores. Os rizicultores temem que o problema nos preços já tenha se tornado estrutural.
– Já faz três anos que as cotações estão baixas -, diz Alberto Ranacoski, rizicultor, presidente da Câmara de Nova Veneza e um dos organizadores do encontro.
– A área plantada em Santa Catarina não cai porque trata-se, na maior parte, de propriedades familiares. Os agricultores ficariam sem trabalho se não cultivassem a terra. Mas eles estão ficando descapitalizados – Segundo Ranacoski, o custo de produção supera em muito a cotação de mercado.
De acordo com Ranacoski, existe a possibilidade de que os rizicultores venham a formar uma associação estadual.


