Enfim, arroz chega ao preço mínimo em algumas regiões gaúchas
Arroz em casca alcança cotações do preço mínimo em algumas regiões do Rio Grande do Sul: R$ 20,00. Pressão de demanda por arroz de melhor qualidade e produtores recuando nas vendas. Semana foi turbulenta.
A semana andou turbulenta para o mercado de arroz em casca no Sul do Brasil. De um lado, a indústria entrou com mais força no mercado para comprar o produto, principalmente de variedades superiores, Irga 417 e BRS Irga 409. De outro, os produtores recuaram e passaram a determinar preços.
Assim, em Capivari do Sul, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, chegaram a acontecer negócios de arroz com 63% de grãos inteiros por R$ 24,00 e negociações, não-confirmadas, na faixa de R$ 24,50 a R$ 25,00 (preço pedido pelos produtores).
Enfim, em algumas regiões do Rio Grande do Sul, os produtores conseguiram comercializar o arroz pelo preço mínimo regulamentado pelo Governo Federal: R$ 20,00 o saco de 50 quilos com 58% de inteiros. Isso, depois de quase seis meses com cotações abaixo deste patamar.
Em todo o Rio Grande do Sul houve uma evolução significativa nas cotações. Em Uruguaiana, Pelotas, Camaquã e Eldorado do Sul confirmaram-se negócios de arroz com 58% de grãos inteiros na faixa de R$ 20,00 (posto na indústria).
Nesta quinta-feira, a indústria de Pelotas já oferecia R$ 20,00 livres por saco de 50 quilos, neste padrão, em Bagé. Fraco, para parboilizado, é cotado em R$ 18,50 (CIF). Corretores da Fronteira-Oeste e da Zona Sul apostam numa tendência de que Pelotas abra os negócios, segunda-feira, acima deste patamar.
Em Itaqui o arroz com 59% de grãos inteiros, das variedades nobres, bateu na casa dos R$ 21,50 esta semana. Grão com maior rendimento obteve R$ 22,50 a R$ 23,00, mas em negócios com volume pouco significativo. Em Cachoeira do Sul o arroz padrão bateu para Tipo 1 – na casa dos R$ 18,50, mesma cotação de Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel e Dom Pedrito. A maior parte das indústrias destas praças, no entanto, estiveram fora de mercado.
BENEFICIADO
O arroz beneficiado teve uma semana de grande pressão de compra por parte dos supermercadistas e distribuidores na semana que passou. Segundo fontes da indústria, houve um grande aumento nas vendas de beneficiado na última semana, comportando preços de R$ 37,00 a R$ 39,00 para o saco de 60 quilos (Fob) no Rio Grande do Sul. O produto chegou entre R$ 53,00 e R$ 55,00 no mercado paulista (final) e até R$ 57,00 em Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Dados da empresa SAFRAS & Mercado indicam que nesta quinta-reira o arroz Cirad beneficiado 60kg apresentava significativa alta, com negócios na faixa de R$ 36,00 a R$ 38,00 posto em São Paulo. A variedade Primavera, em baixos volumes ainda disponível, foi comercializado entre R$ 48,00 e R$ 51,00.
No fardo de 30 quilos, os supermercadistas ainda não estão aceitando o repasse da alta do produto em casca. Mesmo assim, a maior parte das indústrias reajustou as tabelas de preços entre R$ 0,75 e R$ 1,50 na última terça-feira. No Rio Grande do Sul, o preço médio do fardo (Fob) que era de R$ 23,00 há 10 dias subiu para R$ 24,75. Isso equivale a R$ R$ 27,50/R$ 28,50 posto em São Paulo.
Dependendo das marcas e da qualidade do produto, houve negócios em baixos volumes por até R$ 34,50. Mas, o volume de negócios ficou muito abaixo da média.
TENDÊNCIA
Segundo analistas e agentes de mercado, a próxima semana deverá manter uma leve tendência de alta, com os produtores evitando vender para forçar preços mais elevados e a indústria buscando arroz de melhor qualidade. Entre as principais razões para este aquecimento do mercado está o enxugamento da oferta pelos AGFs e contratos de opção, final da fase de busca de recursos para financiar a próxima lavoura mais de dois terços da área gaúcha está plantada e concentração dos estoques de arroz na mão da indústria e dos grandes produtores o pequeno já vendeu praticamente a totalidade do arroz que tinha para pagar as contas e preparar a nova lavoura.
QUALIDADE
Destaca-se ainda o fato da indústria e dos supermercadistas terem conhecimento do pequeno estoque de arroz de boa qualidade disponível no mercado, principalmente no Rio Grande do Sul. Nesta semana, novamente houve bastante movimentação e busca de informações com os corretores uruguaios, na fronteira gaúcha. A greve dos fiscais federais, no entanto, travou as importações. Há, contudo, expectativa de que na próxima semana o Brasil volte a receber volume mais significativo de arroz do Mercosul. A recuperação de preços no mercado interno deverá tornar novamente atraente o produto uruguaio, principalmente.
A leitura de redução de área no Centro-Oeste e atraso no plantio em algumas regiões do Rio Grande do Sul e também do Mato Grosso, além da redução no uso de tecnologias o que pode interferir negativamente na produtividade e na qualidade dos grãos para a próxima safra também são fatores que colocaram a indústria e os supermercadistas em alerta.


