Entre desafios e esperança

A safra foi boa, dentro do padrão normal esperado para 2025/26. Os números de 7,8 milhões de toneladas no RS e 11,2 milhões no país confirmam mais uma vez a capacidade técnica do produtor, a eficiência do campo e a força da cadeia orizícola brasileira. Mas, por trás de uma colheita satisfatória, segue uma realidade que preocupa: produzir bem não tem sido suficiente para garantir rentabilidade da cultura rizícola.

O arrozeiro encerra mais uma temporada com preços bem abaixo do necessário para cobrir os custos, pressionado pelo endividamento, pelos juros elevados, pela insegurança climática e por uma conta que insiste em ficar no vermelho. Nem um dilúvio de arroz à média de R$ 55,00 consegue fazer frente a mais de R$ 17 mil por hectare, como o Cepea/CNA identificou em Uruguaiana. Insumos, energia e logística continuam pesando sobre uma atividade que exige investimentos crescentes para manter competitividade e produtividade.

“A resiliência mantém vivo o otimismo.”

Talvez a principal característica da cadeia do arroz seja justamente sua capacidade de resistir. O setor atravessa crises climáticas, excesso de oferta, oscilações de mercado e mudanças no cenário econômico — e continua gerando alimentos, renda, tecnologias e desenvolvimento para milhares de famílias.

É essa resiliência que mantém vivo o otimismo para o segundo semestre: a redução de área em importantes países produtores, o ajuste gradual da oferta no Mercosul e a expectativa de melhora nas exportações podem abrir espaço para preços mais favoráveis e recuperação das margens.

O arroz brasileiro já enfrentou muitos ciclos difíceis e, justamente nos momentos mais desafiadores, o setor mostra sua maior virtude: seguir semeando esperança, mesmo diante das incertezas.

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