Estiagem em SC pouco estrago causou

Quebra da safra gaúcha também não deve interferir no abastecimento do país e será compensada por aumento de produção no Maranhão e no Mato Grosso.

Desde que se interrompa o presente ciclo de adversidades climáticas em importantes regiões produtoras, não se teme um grande abalo na safra brasileira de arroz 2004/05.

O montante da produção brasileira deste cereal, neste caso, não deve divergir muito do da safra 03/04 (12,8 milhões de toneladas). Isto significa que, até o momento, a quebra da produção gaúcha poderá ser compensada pelo crescimento da de outras regiões, como Mato Grosso e Maranhão.

Em primeiro lugar, porque a quebra da produção gaúcha não deve ser de grande monta – tanto Safras & Mercados (CMA 15/03/05), quanto a Conab (2º levantamento, relativo a fevereiro/05) as colocam em torno de 7%.

A produção gaúcha, então, poderá situar-se aproximadamente em 5,85 milhões de toneladas, decorrentes, em sua maior parte, da redução de sua produtividade média – os produtores, diante da previsão de estiagem prolongada, passaram a aplicar menos insumos em suas lavouras.

A produção mato-grossense, por seu turno, tem crescimento assegurado. As estimativas de Safras & Mercado alcançam 28% e, no 2º levantamento da Conab, 7%.

Para tanto concorreu, quase que exclusivamente, a expansão de área plantada neste estado, que, segundo Safras & Mercados, alcançou 27%, e conforme a Conab, 8%.

Quanto a estes números, salientem-se dois aspectos: estas discrepâncias referem-se exclusivamente aos números da safra 03/04; esta expansão é creditada quase que exclusivamente à abertura de novas áreas, notadamente ao norte do estado, na região amazônica.

A produção maranhense também deve crescer expressivamente (13,6% – Conab). Diferentemente do Mato Grosso, este crescimento se deve predominantemente ao incremento de produtividade (11,4% – Conab).

Em Santa Catarina, ainda não se tem um levantamento conclusivo sobre o comportamento da safra. Algumas avaliações preliminares podem dar uma idéia de sua grandeza e de seus problemas.

A região de Jaraguá do Sul, que produz pouco mais de 16% da produção estadual, tem mais de 95% de sua área (20 mil hectares) já colhida. Nesta etapa da colheita, estima-se uma redução de 20% da produtividade esperada (para 6,5 t/ha). Atribui-se esse desempenho ao frio de novembro e dezembro de 2004.

Por outro lado, acredita-se que 85% desta área se destine à ressoca, quando se espera uma produtividade em torno de 2,5 toneladas por hectare, contra 2 toneladas por hectare na safra 03/04.

A região Sul (Araranguá,Criciúma, Tubarão e Laguna), que planta e produz quase 60% do arroz estadual, deverá ter perda de produtividade em alguns municípios, mas de pouca representatividade.

Na região do Vale do Itajaí, que produz ¼ da produção estadual, da qual 70% já foram colhidos, não se estimam quebras substanciais de produção. Ao contrário, a safra está sendo considerada positiva em qualidade e quantidade.

O mercado interno não sofre abalos, ou seja, os vários segmentos que compõem a cadeia produtiva ainda não intensificaram o ritmo de negociação do produto, quer o estocado (mais de um milhão de toneladas), quer o da nova safra.

A evolução dos preços do grão em casca reflete esta situação. Nos três estados de maior produção, por exemplo, os preços do grão em casca apresentam o seguinte comportamento:

– nas principais praças gaúchas, desde o início do corrente mês, a saca do arroz em casca permaneceu em R$ 28,00 em Capivari;

– nas demais, diminuiu seu preço entre 2,9% (Alegrete e Santa Maria) e 3,8% (para R$ 25,50); .

– em quase todas as principais praças catarinenses, os preços da saca de arroz em casca tiveram acréscimos de R$ 0,50 – exceto em Criciúma e Araranguá (R$ 0,80); ficando em R$ 25,00.

– nas praças de Blumenau, Itajaí e Jaraguá do Sul, os preços mais freqüentes ficaram em torno de R$ 21,50;

– em Rio do Sul e Ibirama, em R$ 22,00; em Laguna e Tubarão, em R$ 24,50;

– nas de Mato Grosso, os preços permanecem em R$ 19,50 em Sinop e Sorriso; em R$ 20,50 em Tangará da Serra; em R$ 21,00 em Barra do Garças e Rondonópolis; em R$ 22,50 em Cuiabá;

– nas principais praças catarinenses de arroz em casca, os preços subiram em proporções menores do que no vizinho sulino: 4,9% em Rio do Sul e Jaraguá do Sul; 7,6% em Criciúma e Araranguá; 9,1% em Laguna e Tubarão.

O mesmo se deu com os preços do beneficiado.

No atacado paulistano, ainda no mesmo período, a saca de 60 kg (base CIF e prazo de 30 dias, com ICMS), os três tipos de agulhinha declinaram R$ 0,50: o tipo 1, para R$ 61,00; o tipo 2, para R$ 58,00 e o tipo 3, para R$ 53,00.

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