Estoque alto pode impor novas baixas de preços ainda este ano

Com a proximidade da nova safra, orizicultores precisam desovar estoques para investir na lavoura.

O arroz, que nunca esteve com seus preços tão baixos como agora nas gôndolas dos supermercados, pode ficar ainda mais barato para o consumidor nos próximos dias. É que existe um grande estoque excedente de arroz em casca, estimado em 800 mil toneladas em Mato Grosso, que precisa sair ao mercado para que o orizicultor possa se capitalizar para o plantio da próxima safra. Como o arroz está demorando para ser vendido, há possibilidade de os preços na ponta sofrerem novas reduções ainda este mês.

– Na verdade, os preços do arroz já estão sofrendo pressão de baixa desde o início do segundo semestre, porque a safra foi colhida e boa parte do estoque está parada nos armazéns. Hoje eu diria que a expectativa de preços para o arroz é péssima e só tende a cair com o volume existente atualmente no mercado – diz o corretor Cláudio José Sônego, da Única Corretora, em Cuiabá.

Segundo ele, quanto mais o tempo vai passando, maior é a pressão de baixa sobre o preço do arroz, “em função do excesso de oferta e da má qualidade da variedade Cirad 141”. Sônego lembra que este ano houve uma colheita de 13,3 milhões de toneladas no Brasil, para um consumo praticamente igual.

– O problema é que temos um estoque de passagem de 2 milhões de toneladas que precisa ser enxugado do mercado. Com a oferta elevada, os produtores não conseguirão preços remuneradores e ainda terão dificuldades para plantar a safra 2005/06 – afirma o analista.

“O problema é que o nosso arroz está com qualidade inferior em relação a outras safras e está perdendo mercado. Estamos há mais de três meses na entressafra e até agora não vimos qualquer sinalização do mercado. Pelo contrário, os preços continuam achatados e a tendência é de que se mantenham em patamares ainda mais baixos nos próximos meses”.

Sônego recorda que no ano passado, no mesmo mês de outubro, o arroz da variedade Primavera (longo e fino) chegou a ser vendido por preços entre R$ 26 e R$ 28 a saca. Agora, os preços oscilam entre R$ 17,00 e R$ R$ 19,00. Já o Cirad (longo) que chegou a ser cotado entre R$ 24,00 e R$ 26,00 está cotado entre R$ 11,00 e R$ 13,00. A explicação para essa queda vertiginosa está na baixa qualidade do produto, que não está conseguindo se enquadrar como longo fino.

Cláudio Sônego informou que na região Norte do Estado produtores estão vendendo parceladamente a sua produção a preços próximos a R$ 10,00 a saca, com custo de produção pelo menos o dobro deste valor, para pagar dívidas e planejar o plantio da nova safra.

PREÇOS BAIXOS – O analista de Mercado do Arroz da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Paulo Morceli, admite que os preços do arroz estão em queda livre no País e tendem a sofrer novas baixas caso os estoques não sejam reduzidos.

– Se compararmos com as cotações do ano passado, vamos observar uma defasagem de até 40% nos preços médios praticados no Brasi – disse o analista.

Morceli informou que o preço mínimo pago ao produtor, atualmente, é de R$ 20,70 para a variedade longo fino (tipo 2, com 55% de inteiros), e de R$ 10,75 para o longo (tipo 3, com 40% de inteiros).

Esse valor, contudo, é considerado baixo pela Associação dos Produtores de Arroz (APA).

– Os preços de venda estão bem aquém dos custos de produção, hoje estimados em R$ 22,00 a saca – diz o presidente da entidade, Ângelo Maronezzi.

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