Estoque de arroz praticamente zerado

Enquanto os bloqueios seguram cargas de grãos no Nortão, supermercadistas planejam compras de outros estados. Preço no varejo pode sofrer alta. Mesmo sem o beneficiamento do arroz, Estado não deverá sofrer com a falta do produto nos supermercados. Gôndolas serão abastecidas por outros estados .

O estoque de arroz em casca nas indústrias de beneficiamento de Mato Grosso está praticamente zerado devido ao bloqueio das rodovias pelos agricultores, que no Estado se arrastam há mais de 30 dias.

– Chegamos ao limite – disse ontem o presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação no Estado de Mato Grosso (Siamt), Marco Antônio Lorga, informando que 80% das indústrias já estão com suas atividades paralisadas.

Em Mato Grosso são 150 indústrias de beneficiamento de arroz.

– Por enquanto ainda não pensamos em demitir funcionários. As indústrias estão trabalhando no vermelho desde que o movimento dos agricultores começou. Mas vamos ver como a situação evolui após o anúncio das medidas para socorrer a agricultura, feito ontem em Brasília – pondera Lorga.

Enquanto aguarda o desfecho da questão, a indústria do arroz continua sem perspectivas para trabalhar.

– Vamos buscar alternativas para o segmento, pois a crise está atingindo toda a cadeia produtiva do arroz. A situação não pode continuar do jeito que está sob pena de pagarmos caro, caso uma solução não seja encontrada com urgência.

O presidente do sindicato afirma que a situação é crítica em Mato Grosso.

– Nunca presenciei uma situação tão devastadora como esta que estamos vivendo no momento. Estamos em um processo auto-destrutivo e isso é ruim para todo mundo. Acho que deve haver consciência por parte dos produtores de que a situação já passou do limite e o setor produtivo precisa retomar suas atividades.

ABASTECIMENTO

Lorga não acredita, contudo, que faltará arroz nos supermercados da Grande Cuiabá.

– Vamos ficar sem o arroz produzido em nossa região, que abastece a maior parte dos consumidores mato-grossenses. Mas não acho que teremos a falta do produto nas gôndolas dos supermercados porque em uma situação extrema como a que estamos vivendo seremos obrigados a buscar o arroz em outras regiões do País, como o Rio Grande do Sul.

Ele informou que Mato Grosso consome apenas 5% do arroz produzido nesse estado e que a escassez poderá provocar uma alta nos preços do produto nos próximos dias.

Lorga revelou que algumas indústrias estavam pagando até 25% a mais no frete dos produtos transportados das regiões onde estão ocorrendo o bloqueio das rodovias.

TRANSPORTADORES

O diretor executivo da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC), Miguel Mendes, diz não ter informações de que esteja ocorrendo alta nos preços do frete no Estado em função dos bloqueios.

– A informação que tenho é de que os caminhões já estão sendo liberados e apenas em algumas regiões ainda está ocorrendo a manifestação com a interdição do trânsito para os caminhões.

Mendes informou que um grande número de caminhões está parado por falta de produtos nos armazéns e nas indústrias.

– Temos neste momento mais de seis mil caminhões aguardando a retomada do transporte de grãos – exclama.

O dirigente revela ainda que na região de Rondonópolis 50% do parque industrial estão paralisados por falta de matéria-prima.

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