Estoques de arroz só para esta semana no MT

O volume seria suficiente para somente mais cinco dias, ou para esta semana no Mato Grosso.

– Das 30 mil toneladas que tínhamos até o início deste mês em estoque nas beneficiadoras filiadas ao Sindicato, creio que restem cerca de 5 mil – alerta o presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação em Mato Grosso (Siamt), Marco Lorga. Segundo ele, o volume seria suficiente para somente mais cinco dias, ou para esta semana.

O presidente do sindicato patronal destaca que, apesar da revisão na conduta dos bloqueios às rodovias que interligam o Estado desde ontem, “vai demorar para que o abastecimento as indústrias seja normalizado, isso será feito de forma gradual”.

Lorga destaca ainda que desde a sexta-feira passada cerca de 70%, das 64 indústrias filiadas ao Siamt, estavam paralisadas e que o restante, 30%, opera de forma ociosa e se os estoques não forem repostos, “param nesta sexta-feira”. Junto às filiadas, as beneficiadoras de arroz em casca somam 150 indústrias.

O diretor da rede de supermercados Modelo, Altair Magalhães, diz que o desabastecimento ainda não chegou às gôndolas.

O presidente do Siamt aponta ainda que neste período “pós-bloqueio”, houve alta de cerca de 25% nos preços dos fretes.

– Existe um efeito psicológico sobre os freteiros, que ainda estão resistentes ao carregamento de arroz e soja.

Quase não existe oferta de fretes agora. O medo de ficar preso nas rodovias e de contabilizar ônus afugenta estes profissionais.

O SETOR

A trégua nos bloqueios não trouxe novidades ao setor, os estoques de arroz em casca estão cada vez mais baixos e os beneficiadores calculam que de um contingente de 2,5 mil trabalhadores, cerca de 70% tenham sido demitidos do ano passado até agora.

– Se no dia 9, quando aderimos ao Grito do Ipiranga, tínhamos em estoque cerca de 30 mil toneladas, agora temos indústrias fechadas por falta de produto”, reforça o empresário Francisco Manzano, da MM Arroz.

Ele destaca que neste período de “pós-bloqueio”, o pouco arroz que chegou a Cuiabá ou Várzea Grande, veio do Rio Grande do Sul.

– Mas como a mobilização do setor agrícola está chegando por lá, o abastecimento ao Estado está comprometido. Aguardamos com muita ansiedade o anúncio de um novo pacote ao setor, conforme o prometido pelo presidente Lula e o ministro Roberto Rodrigues (Agricultura)”.

Manzano aponta que não houver medidas que efetivamente contribuam ao setor, “nós vamos fechar as portas”, alerta.

UM ALÍVIO

O presidente do Siamt, destaca que ontem à tarde, o setor recebeu uma notícia boa, entre tantas desanimadoras.

– A Cemat se colocou à disposição dos filiados ao Siamt para prestar esclarecimentos com relação a utilização de tarifas do horário de ponta. A energia representa 30% do custo industrial.

Lorga conta que muitos empresários não tinham informações sobre as tarifas de ponta.

– A partir de hoje uma equipe de técnicos e engenheiros elétricos da concessionária local estará realizando um diagnóstico em cada indústria. Isso vai mostrar onde e como podemos economizar energia. Essa consultoria será essencial para a recomposição financeira das beneficiadoras.

Ele diz, que segundo diretores da Cemat, este segmento é um dos mais adimplentes.

– Foi uma oportunidade de declararmos à Cemat, que somos contra a moratória.

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