Estoques e aumento de oferta prejudicaram preços em julho
Analista da SAFRAS & Mercado considera fatores que afetaram o mercado em julho.
O mês de julho não foi nada bom para o mercado brasileiro de arroz, tanto para o casca como para o beneficiado. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Eduardo Sarmento, o mercado esteve pressionado neste período. “Os produtores estão com muito estoque e precisam vender para pagar parcelas de custeio e gastos gerais na fazenda”, explica.
Como o aumento da oferta por parte do produtor para saldar dívidas, o preço do cereal vem numa linha descendente. No Rio Grande do Sul, principal Estado produtor, a saca de 50 quilos fecha o mês valendo entre R$ 19,00 e R$ 19,50. No Mato Grosso, segundo maior produtor, a saca de 60 quilos de primavera em Sinop/Sorriso vale R$ 18,50, com 58/59% de inteiros.
No mercado beneficiado, a situação não é diferente. “O mercado paulistano acaba sempre seguindo o de casca”, ressalta o analista. O saco de 60 quilos de arroz tipo 1, com ICMS incluso, está cotado entre R$ 50,00 e R$ 52,00. O tipo 2 vale entre R$ 47,00 e R$ 50,00. Já o saco de arroz tipo 3 fecha o mês cotado de R$ 45,00 e R$ 47,00.
Segundo o analista, a previsão para o curto prazo não é nada promissora para os preços. “Uma das alternativas para buscar um suporte seria aumentar o volume de contratos para os leilões públicos que estão sendo realizados periodicamente pelo Governo Federal”, acredita.
Na última operação pública, realizada dia 21 de julho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ofertou 2.778 contratos de 27 toneladas aos produtores, sendo negociada toda a oferta. Destes, 2.296 contratos eram destinados aos gaúchos e 482 para Santa Catarina.
O valor do prêmio de abertura era de R$ 64,80 por contrato ou R$ 0,12 por saca de 50 quilos (R$ 0,25 com todos encargos). O prêmio de fechamento para o Rio Grande do Sul ficou em R$ 1.050,00 por contrato ou R$ 1,94 por saca (R$ 2,07 com todos os encargos). Na semana anterior, o prêmio havia sido de R$ 556,00 por contratos ou R$ 1,03 por saca (R$ 1,16 com todos os encargos).
Para Santa Catarina, também foi negociada 100% da oferta. Entretanto, o prêmio ficou muito próximo ao de abertura, saindo a RS 66,00 por contrato ou R$ 0,122 por saca (R$ 0,252 com todos os encargos). Na semana anterior, o resultado do Estado havia sido rigorosamente igual, fato que mostra que os produtores catarinenses vieram organizados para os leilões públicos, controlando plenamente o ágio.


