Excedente da Conab também prejudica armazenamento
Excedente estocado no Rio Grande do Sul e colheita farta de arroz nas terras gaúchas geram dificuldades de armazenagem.
O proprietário da Marquetto Agropecuária, Eriberto Marquetto, possui em sua firma armazém com capacidade para receber 11.2 mil toneladas de arroz. Mas seus depósitos estão comprometidos com parte das duas toneladas do excedente comprado pela Conab ainda na última safra pela Companhia Nacional de Abastecimento, que em abril de 2005 adquiriu o produto para recuperar o preço de venda do produtor.
O que deveria ter sido uma saída para regularizar as perdas por conta do baixo preço praticado está se transformando em dor de cabeça para os arrozeiros.
Marquetto adianta que está com 50% da capacidade de armazenamento comprometida e que só irá receber produto de clientes com quem já assumiu compromisso.
– Isso porque o arroz adquirido pela Conab não deve ser comercializado de imediato, pois quando a companhia adquiriu o produto o preço de mercado era superior ao verificado hoje. Nossa projeção é de que nos próximos dois ou três anos esse arroz deva permanecer estocado – comentou Marquetto.
Segundo ele, o arroz adquirido pela Conab ainda deve criar mais problemas nas safras que estão por vir.
– Trata-se de um grande problema, que não é exclusividade da região, mas sim de todo o Rio Grande do Sul. Vale lembrar que 90% do excedente adquirido pelo Governo Federal estão no Rio Grande do Sul, que é o maior produtor de arroz do Brasil – , comentou.
Marzari – Só parceiros e Santa Flora
Por enquanto, os produtores de arroz de Santa Flora ainda têm onde armazenar a sua safra. A Marzari Alimentos está dando prioridade para armazenamento da produção do distrito como forma de garantir a produção dos agricultores da região. Com uma capacidade para armazenar 35 mil toneladas, a empresa também está dando atenção especial a parceiros comerciais.
– Só estamos recebendo o arroz de clientes amigos, parceiros e produtores da região de Santa Flora – salientou Leandro Dalacorte, do setor de insumos da empresa que é a maior geradora de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de Santa Maria.
Segundo ele, sempre que fecha o mês é feita a contagem para verificar o espaço disponível para armazenamento.
– Conforme aquilo que levantamos, entramos em contato e oferecemos prioridade para estes clientes que estão na fila – salientou Dalacorte.
A Marzari também está armazenando arroz excedente da última safra adquirido pela Conab.
– São 625 toneladas do produto adquirida pelo Governo. Pouco considerando nossa capacidade de armazenamento, mas muito se pensarmos na situação dos arrozeiros da região que estão com dificuldades para encontrar local para depositar sua produção. Precisamos ter cautela para evitar problemas com os nossos parceiros e para poder honra os compromissos que assumimos – afirmou.
Ele também entende que, se por um lado o Governo auxilia o produtor com a compra da produção excedente, por outro, existe o prejuízo pela falta de ajuste de preço de mercado.
– Isso, acaba criando problemas sérios para o produtor, que além de arcar com custos de produção elevados ainda fica na expectativa de não ter como armazenar o arroz – concluiu Dalacorte.
Cooperativa de Camobi só aceita arroz dos associados
Na cooperativa de Arroz Camobi Ltda. (Cocal) 80% os dois silos metálicos e três graneleiros estão com 80% da capacidade de armazenamento comprometido com a produção dos associados e o gerente da Cocal, Nilton Tonetto diz que vai faltar espaço para receber toda a safra.
– Estamos monitorando todo o recebimento de acordo com o que cada cooperativado lançou na última safra. A nossa prioridade é atender aos cerca de 80 associados. Quem não está no quadro não adianta procurar que não existe mais espaço para armazenamento – explicou Tonetto.
Segundo ele, a Cocal recebe uma média diária de seis a sete telefones de produtores da região que procuram um local para depositar sua produção.
– Este ano a procura está mais acentuada devido ao incremento da produção e como o excedente do ano passado ainda não deu saída dos armazéns a situação é preocupante – afirmou Tonetto.
Ele comenta que em algumas regiões do Estado, como em Jaguari, os produtores já estão depositando a safra a céu aberto.
– O momento é péssimo para todos. O preço para o produtor está baixo e o custo de produção elevado. Não sobra para ninguém – lamentou o gerente da Cocal. A cooperativa não está rmazenando arroz da Conab.


