Excesso de oferta preocupa arrozeiros

Ação judicial contra importações foi definida durante a 1ª Abertura Oficial do Plantio do Arroz, em Tapes (RS).

O plantio da safra 2004/2005 de arroz começou trazendo uma equação difícil para os produtores: como ter lucro se o Brasil produz mais do que consome e ainda absorve a maior parte da produção do Mercosul? A superoferta no mercado nacional foi a tônica das discussões na 1ª Abertura Oficial do Plantio do Arroz, no final de semana, em Tapes.

A cadeia produtiva estuda dois caminhos para a recuperação dos preços, hoje entre R$ 28 e R$ 30 a saca de 50 quilos – enquanto o custo de produção é de R$ 30. Ou se barra a entrada de arroz uruguaio e argentino, ou se abre as portas para a exportação do produto brasileiro. Em assembléia na manhã deste domingo, a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz) decidiu ingressar com ação judicial contra as importações. Os detalhes do processo serão definidos quarta-feira, em reunião com juristas em Porto Alegre.

– É preciso revisar os acordos comerciais do Mercosul, assinados há 13 anos. Na época, o Brasil produzia 9 milhões de toneladas. Hoje, somos auto-suficientes – disse o diretor comercial e industrial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Rubens Silveira.

Só o Rio Grande do Sul, observou, poderia exportar de 300 mil a 500 mil toneladas. O estado produz 6 milhões de toneladas. O país deve colher nesta safra 12,8 milhões de toneladas, 200 mil a mais do que consome. Só até junho, importou 750 mil toneladas de arroz – 550 mil do Mercosul, informou Valter Pötter, presidente da Federarroz:

– Precisamos da suspensão imediata das compras do Mercosul. Não quebrando os acordos, mas como salvaguarda para o setor.

MINISTÉRIOS VÃO RECEBER PAUTA
SOBRE SUSPENSÃO DE COMPRAS

Essa pauta será enviada aos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura. Outra alternativa já sugerida, lembrou Silveira, é a compra de 500 mil toneladas pelo governo, para o programa Fome Zero.

Segundo Pötter, em 2002 o Brasil comprava 55% das exportações argentinas. Em 2003, adquiriu 99%. Em relação ao Uruguai, o volume passou de 64% para 84%.

– O arroz é o produto mais subsidiado do mundo. As mudanças passam por pressão, pressão é lobby, e lobby se faz com dinheiro. Vocês têm que tirar a mão do bolso! – bradou Antonio Sartori, diretor da corretora Brasoja, ao discursar em Tapes.

Sartori referia-se à possibilidade de abrir um painel na Organização Mundial de Comércio (OMC) questionando os subsídios americanos, a exemplo da ação movida – e vencida – pelos produtores de algodão brasileiros, que desembolsaram nada menos que US$ 2 milhões na briga.

A SITUAÇÃO DALAVOURA NO RIO GRANDE DO SUL

O Rio Grande do Sul deve plantar neste ano uma área de arroz 8,5% menor do que a da última safra.

A redução de 1.037.804 hectares para 849.715 hectares, segundo a última estimativa do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), se deve à estiagem que atingiu o estado neste ano.

A região mais prejudicada é a Fronteira Oeste (a maior produtora), com redução de 29,83% na área.

O presidente do Irga, Pery Sperotto Coelho, observa que, em agosto, a perspectiva de redução era de 10,5% e que há ainda 90 dias de plantio pela frente. Até novembro, as chuvas podem encher as barragens mas, segundo o dirigente, não há possibilidade de ultrapassar a área plantada em 2003. Ele acrescenta que 15 mil hectares já foram semeados no Estado.

A CARTA DE TAPES

Os produtores encaminharão pleitos para proteger a produção gaúcha de arroz aos governos estadual e federal por meio da Carta de Tapes. Confira alguns pontos:

Adoção imediata de mecanismo de apoio à comercialização, o Contrato de Opção convencional.

Elevação da Tarifa Externa Comum (TEC) do arroz no Mercosul, que hoje vai de 12% a 15%, para 35%.

Suspensão da isenção de PIS-Cofins para arroz importado beneficiado.

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